Os filhos crescem e as mães permanecem

Apenas compreendi sobre ter filhos, quando me tornei mãe, e antes deste momento ouvi de uma amiga: “os filhos crescem e as mães permanecem”, naquele dia não entendi muito bem o que aquelas palavras queriam dizer, mas quando a minha filha nasceu, soube exatamente o que significavam àquelas palavras tão doces e misteriosas. E a partir daquele momento fui descobrindo sobre a “saga” de ser e permanecer mãe.

Quando o nosso filho nasce uma sensação de “posse” toma conta de nós mamães, é algo sem controle, uma vida gerada no nosso ventre, nos faz ter a certeza que “ele” é só nosso e que nunca sairá dos nossos braços e nem do nosso alcance. Mas a verdade é que os filhos crescem e nós permanecemos, por isto é muito importante que aprendamos que os filhos são um “empréstimo” do universo, mas que não param de crescer, aprendem a cada dia a serem independentes e continuam a explorar o mundo. Eles “voam”, como nós um dia fizemos.

Se os filhos não param, nós mamães permanecemos no mesmo lugar, sempre à espera deles e em função deles. Ligamos, convidamos para almoçar, participantes de todas as suas redes sociais, adoramos ir nas festas com seus amigos, fazemos comidas gostosas, levamos a turma para o cinema, fazemos viagens juntos, enfim, fazemos de tudo para que eles estejam sempre ao nosso lado.

Mas chega o dia em que recebemos um “não” como resposta à um convite, e isto nos magoa profundamente, mas precisamos entender que os nossos filhos precisam continuar à construir a sua vida, e o nosso papel é orientá-los a seguir pelo caminho do bem, mas jamais freia-los.

Respeitar o ciclo da vida e sempre permanecer como mães, mas seguirmos com a nossa trajetória de vida, porque quando menos esperamos, tudo se finda.

A vontade de toda mãe é que o filho permaneça pequeno, em seus braços, sobre os seus olhares e dependentes de nós, mas não é o que a vida espera. Filhos são empréstimos do universo para nós, e somos sim privilegiadas por termos a oportunidade de cuidar deles, ensinando-os a amar, respeitar, estudar, trabalhar e a ter uma vida plena, mas chega a hora em que eles crescem, e enquanto eles continuam a caminhar em busca dos seus sonhos, nós devemos permanecer para que sejamos o porto seguro da vida deles.

Permanecer mães não é esperar sentada no sofá à volta deles, e sim vivenciar novas experiências, fazer amizades, descobrir novos lugares, se sentir amada e com a missão cumprida. Acreditem, um dia os filhos retornam, e é muito gratificante ver o que se tornaram.

Que possamos, enquanto mães, sermos fortes, racionais, equilibradas para cortar o cordão umbilical com os nossos filhos, mas tendo a certeza de que fizemos o nosso papel da melhor maneira possível.

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Subida aos pirineus

Com um amigo em ritmo igual a subida fica mais leve, a paisagem encanta cada vez mais, mas as histórias fazem a emoção aflorar.

Não se esqueçam de sugerirem, criticarem e participarem da construção deste livro que representa cada peregrino em suas jornadas pessoais.


Torres e Boyco conversam com outro peregrino, não estou muito atento a conversa e sendo assim não sei do que estão falando, guardo a parte que restou da experimentação  do bocadilho, compro uma garrafa d’água e estou pronto para sair.

Quando vou a mesa para despedir de Torres e Boyco, Torres resolve me acompanhar, lhe digo logo que não consigo acompanhar seu ritmo e ele resolve mesmo assim me acompanhar de forma mais leve para que possamos conversar. Caminhamos lentamente pela  estreita via asfaltada onde vez-ou-outra um carro passa lentamente por nós, de dentro dos carros motoristas acenam ou gesticulam em cumprimentos calorosos e incentivadores.

O clima continua fresco e agradável e ter companhia para conversar é uma ótima pedida. Conversamos sobre a vida em nossos países as diferenças de economia, cultura, gastronomia e todos os temas que pudemos lembrar naquele momento e também das similaridades nada agradáveis principalmente de corrupção na política, Torres como servidor publico deve saber o que diz. Pergunto a Torres sobre o que ele faz no seu trabalho, mas vejo que ele fala pouco desse assunto então não insisto. Mudando de assunto e faço a pergunta que imagino que irei repetir e responder muitas vezes no caminho: Que motivos trás o peregrino ao Caminho? Torres não responde de imediato essa pergunta como as outras que eu havia feito antes. Fico imaginando se tinha falado alguma besteira ou se tinha feito uma pergunta que ele não havia compreendido, mas alguns segundos depois Torres com voz embargada e cheia de dor diz que decidiu fazer o caminho pois a pouco dias havia tido uma grande perda em sua família, seu avó, que era muito próximo havia falecido. Essa pergunta faz com que o ritmo da nossa conversa mude para um tom mais melancólico e nostálgico. Ele começa a contar o quão próximo era do seu avô, do que faziam juntos e do quanto ele havia influenciado na formação do seu caráter. Me fala ainda sobre como sua família tem lidado com essa passagem e como lhe faz bem estar no caminho, o caminho segundo ele, acalma o coração e trás tranqüilidade a alma. Lembro que Torres não é um iniciante no caminho e estou certo de que mais uma vez ele sabe o que diz.

Depois de alguns minutos Torres resolve seguir seu ritmo, nos despedimos com um até logo e ele segue. Me resta a estrada a frente uma meta a bater e uma longa jornada de aprendizagem espiritual e amadurecimento psicológico.

Sinto que a cada novo passo a rampa de acesso aos Pirineus se mostra mais íngreme e a cada pico vencido mais montanhas se revelam em outros novos e mais altos. A pastagem é sempre de um verde incrível e a pesar de cansado o fôlego já não me falta mais, encontro enfim o meu ritmo e pela primeira vez sinto que deixei para trás os passos acelerados e cambaleantes de um bebe aprendendo a andar e agora caminho com mais firmeza e objetividade meu caminho.

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Vaidade tem limite – sendo mulher sem exageros

Acordar todos os dias e ter uma rotina da beleza, despertar, tomar banho, se “maquiar”, escovar os cabelos, hidratar o corpo, isto é o que todos dizem que devemos fazer, afinal nascemos mulheres e estarmos impecáveis faz parte da nossa vida, mas sinceramente, vaidade tem limite!

Acho que toda mulher devia experimentar acordar um dia diferente, ou melhor, acordar sendo quem realmente deseja ser, sem se preocupar com o que os outros irão pensar. Acordar, continuar de pijama por algumas horas, tomar banho, mas deixar os cabelos secar ao léu, passar um batom, deixar para hidratar o corpo mais tarde, calçar suas meias prediletas e se jogar no sofá. Ahhh…que absurdo! É o que você pode estar pensando neste exato momento, uma mulher não pode ficar largada, precisa se cuidar. A questão aqui não é incentivar que a mulher se descuide, mas sim que ela tenha limites em sua vaidade, perceba que pode ser linda, sendo quem ela é, sem exageros.

Vaidade com limites é sentir-se única, sedutora, impecável sendo exatamente quem você é. É se cuidar quando der vontade, é sair pelas ruas com a roupa que mais te deixa confortável, é saber medir que o menos sempre é mais. É entender que se cuidar é se amar e não se “disfarçar” com maquiagens. É ter o cuidado ao se produzir para uma festa, e sempre antes de sair, se olhar no espelho e ter certeza que realmente se reconhece como uma linda e admirável mulher.

Somos tomados pelas mídias, que apenas mostram que a mulher precisa ter uma beleza incontestável e que para isto é necessário comprar muitos produtos de beleza, viver em clínicas de estética, dormir com pepinos nos olhos, porque senão a olheira a tornará um “monstro”. Não podemos nos tornar reféns de uma vaidade excessiva, isto nos tornará escravas de uma vida que não nos pertence, e que muitas vezes podem nos levar a fazer loucuras, muitas vezes sem volta.

Acredito que uma mulher deve ter sim a sua vaidade, mas que seja moderada. Uma mulher deve sentir-se bem, e as vezes para isto, ela precisa apenas de um batom e um lápis de olho.

O conceito da palavra vaidade é: “qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória.” E me parece uma palavra muito “fria” para darmos tamanha importância na nossa vida. Vivamos belas sim, mas sem esquecer-nos do que há de mais belo dentro de nós, a nossa essência, e isto ninguém tira, ninguém manipula.

Uma mulher pode e deve encontrar a sua beleza interior e a transformar em beleza exterior. Vaidade sem exagero é amar sem desperdício. Pense nisto!

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Albergue de Orisson, meio dos Pirineus

Após muito sacrifício chego ao albergue de Orisson, cheguei a pensar que meu dia terminaria ali, mas depois de comer algo e reencontrar Boyco e Torres, as forças retornaram e pude continuar.

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Cada passo era uma batalha vencida e depois de algumas poucas horas de luta estou exausto e a procura de um lugar para descansar e meu desejo é atendido quase que de imediato e logo ali a minha frente está o albergue e restaurante Orisson. Avisto Boyco e Torres sentados, os dois expressavam tranqüilidade e serenidade, além é claro de disposição. Exatamente o oposto de como me sentia ali, mas ver aquele lugar e os dois me deu esperanças, sabia que uma bebida quente naquele dia frio e um pouco de comida me daria conforto e energia.

Peço uma xícara do que estão bebendo e posso jurar que aquela xícara de leite quente veio de algum tipo de gado sagrado que vivia no alto dos Pirineus, e com toda certeza era cuidado por monges tibetanos importados exclusivamente para isso.

A bebida é revigorante, e me sento quase tão bem quanto quando sai de Saint-Jean. Observo a paisagem que emoldura aquele lugar, ele fica em um platô e a rodovia o separa em duas partes, à direita o albergue antigo e muito bem cuidado. Paredes feitas de pedra e madeira com dois pavimentos. Logo a sua frente uma grande arvore sem folhas e muito majestosa. Do lado direito daquela arvore uma fonte que jorra água fresca, pra não dizer gelada, serve os peregrinos que por ali passam. As raízes da arvore brincam na linha tênue que separa o fim daquele platô com o inicio de um profundo e extenso vale que segue longe no horizonte até alcançar uma fileira de montanhas que se sobrepõem uma após a outra. As montanhas empilhadas alcançam um céu azul iluminado e salpicado por nuvens que formam formas com as quais se pode brincar.

Junto com o leite pedi também um bocadilho de presunto. Ainda não tenho fome, mas sei que necessito de comida para logo mais. O pão me parece muito fresco tem uma crosta crocante e seu interior tem aparência macia. O tradicional e mundialmente famoso presunto curado espanhol recheia aquela obra da confeitaria e sua gordura derrete no pão ao menor sinal de calor deixando seu miolo sedoso e com sabor intenso. Depois de algum tempo apreciando o pão não resisto e lhe dou uma mordida por curiosidade, e depois mais uma por confirmação e uma outra para ter certeza e uma mais em contra-prova, e sim, mesmo sem fome aquilo era fantástico.

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Café coado do bom :)

Criou-se um mito em torno do café. Café só é bom se for espresso ou com algum outro utensílio que não seja um bule e um coador de pano. Os utensílios tem impacto no produto final, mas o que realmente faz um produto final de qualidade são bons ingredientes e processos que respeitem este.

O pó de café torrado e moído, encontrado comumente em qualquer mercado, em geral não é de muita qualidade. E um dos evidenciadores disto é a torrefação escura do café. Após ser colhido e durante o processo de beneficiamento o café é torrado. As torras padrões são: clara, média e escura.

A torra clara, tende a acentua acidez e aroma com suavidade do sabor. Ela suaviza o amargor e enaltece o aroma do café.

A torra média seria a ideal para coadores de pano, pois busca um equilíbrio entre as características do café: acidez, aroma e amargor.

A torra escura deixa o café menos ácido, porém mais amargo. Ela faz com que o café pareça “mais forte”. Ela é capaz também camuflar impurezas no café.

Desta forma a maneira mais prática de se ter um ingrediente de boa qualidade é adquirindo o café em grãos, torrado ou não, preferencialmente em torra clara e depois fazer a moagem. Existem vários moedores disponíveis hoje no mercado a custo bastante acessíveis, na faixa de R$ 100,00. Padarias e cafeterias também fazem este tipo de trabalho a um custo acessível. Quando for tomar seu próximo cafezinho pergunte no balcão por tal serviço.

Bem, mas agora que temos um bom café, torrado e moído, vamos as dicas de como armazena-lo e como “passar” um bom cafezinho:

#Café coado do bom

  • É importante que o pó de café seja distribuído de forma uniforme no coador;
  • A água deve ser filtrada, se possível mineral, a fim de não  ter cloro.
  • A água não deve estar estar fervendo ao ser despejada no café, pois pode queimá-lo e ter um efeito semelhante a torra escura. Após a água levantar fervura, desligue o fogo e aguarde 1 minuto;
  • Vá colocando a aguá sobre o café, já no coador das bordas para o centro, regue todas as bordas e em seguida o centro. Não use colher para torcer o coador ou mexer o café.
  • 5 a 6 gramas de pó, equivalente a uma colher de sopa cheia, são o suficiente para 100 ml de água.
  • A fim de não pegar odor e outras impurezas, o coador pode ser guardado em uma vasilha d’água na geladeira, assim como o pó de café, mas não coloque o pó de café dentro d’água ¬¬

Dica para galera de Brasília: A Belini Café Expirience, torra e moi café 😀

Ciência ou magia? 🔥 . #roast

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ps: Essa cafeteria fica do outro lado da rua da Belini tradicional.

imagens:blodocafé e pixaby

 

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Não devia ter sido negligente com o treino

Já no inicio da subida começo a questionar minha capacidade de bater a meta. Não devia ter sido negligente com meu treino.

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Fui vendo os dois sumindo na sinuosa estrada e continuei a subir em um ritmo mais leve e tranqüilo, e agora sim, me via em um ritmo aceitável e que me permitiria chegar ao cume dos Pirineus. Caminhando mais devagar eu pude observar como a cada passo aquela paisagem mudava e me mostrava um mundo novo, tive consciência que cada passo rumo a Santiago me presentearia com uma visão completamente nova de tudo, uma experiência nova para os cinco sentidos e para a alma. A paisagem me deslumbra e vagarosamente sigo subindo. Eu sou acompanhado de perto por uma senhora de idade bastante avançada, eu a observo no retrovisor, ao menos por enquanto, e um casal a minha frente também a observa, imagino que são da mesma família. Essa visão me dá forças para continuar, aquela senhora me mostra que nenhum desafio seria ou será grande demais, necessito apenas acertar o ritmo que posso suportar e assim poderei escalar qualquer cume. A caminhada do dia de hoje não é longa é apenas muito íngreme, o que me custará tempo, mas tempo não é problema eu ainda tenho muito, acordei bem cedo e tenho um longo dia pela frente.

O projeto Caminho de Santiago para a minha atual forma física é bastante audacioso. A idéia é chegar a Santiago saindo de Saint-Jean em vinte e sete dias, eu tenho algumas etapas longas de pouco mais de quarenta quilômetros em um dia e tenho etapas mais razoáveis, mas em media eu caminharia algo em torno de trinta quilômetros todos os dias. Me preparei fazendo curtas caminhadas no trajeto casa trabalho durante um ano. Nas costas carregava uma mochila com o peso aproximado que estou levando nesta jornada, e é claro que agora começo a pagar o preço por esse preparo ludibrioso que eu mesmo me dei.

Já nesses primeiros quilômetros comecei a questionar a minha capacidade de bater essa meta e terminar o caminho, minha mente nessa hora é uma verdadeira batalha entre o incentivo e a descrença em executar um projeto de dois anos de planejamento.

Eu não posso desistir no primeiro dia. No trabalho havia um bolão entre meus amigos com estimativas de qual etapa eu pararia, e o mais incrível foi descobrir que tinham apostas para o primeiro dia, mas vamos lá, cabeça erguida ritmo tranqüilo e rumo ao topo.

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A orquídea – conhecida como a planta da alma!

Cultivar uma orquídea deve ser um ato de amor e muita paciência, afinal ela é conhecida como a planta da alma, e todo o cuidado, dedicação e carinho que damos a ela é retribuído pelas belas folhagens que brotam e pelas maravilhosas flores que desabrocham.

Desde de quando eu era adolescente sempre me sentia atraída pelas orquídeas, ao ponto de fixar os meus olhos em suas cores exuberantes e entrar em um mundo desconhecido, onde todas as cores se espalhavam e todos os odores se misturavam formando uma só tonalidade e um só aroma. Para mim as orquídeas representavam o amor verdadeiro, sua exuberância e imponência se destacavam no meio de um todo, suas flores intactas e seguras se exibiam e pareciam pedir para que fossem cuidadas, uma beleza absurda, que muitas vezes parecia não ser real.

E foi em um dia de sol que ganhei a minha primeira orquídea, nossa, lembro-me como se fosse hoje, recebi aquela encantadora planta em minhas mãos, de cor azulada, caule enorme, uma imponência encantadora, com uma fragilidade sutil. Ao mesmo tempo que senti um ardor na minha alma, a minha mente sabia que eu estava recebendo uma missão enorme, pois cuidar e se dedicar a este planta era muito mais do que apenas regá-la, era preciso admirá-la, exaltá-la, ter toda paciência para entendê-la e, principalmente, respeitá-la.

E todos os dias executava a minha missão com êxito, mas ela nunca foi uma planta comum, ao tocá-la, o meu corpo tremia, tinha vontade de conversar com ela, um sentimento de calma e amor tomava conta do meu ser. Ela era muito especial, e tê-la nas minhas mãos me fazia me sentir repleta de amor.

Sim, as orquídeas tem o seu diferencial, mas não é só isto, elas não são escolhidas por você, elas te escolhem e te ensinam lições de amor, carinho, paciência que você irá levar por toda a sua vida. Não é à toa que elas são conhecidas como a planta da alma e ter uma experiência de conhecê-la, é vivenciar uma oportunidade única de reciprocidade.

Se ganhares uma orquídea, receba-a como se fosse o mais precioso presente, enviado especialmente para você.

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Caminho de Santigo, enfim o primeiro passo

Enfim como um recém-nascido, dou meus primeiros passos no Caminho de Santiago. Saio da cidade de Saint-Jean-Pied-de-Port rumo aos Pirineus, tecnicamente o dia mais difícil da caminhada, quase 1000 metros de inclinação distribuídos ao longo do dia.

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Criança nunca caminha,
curiosidade a guia,
e tem pressa.

Como recém-nascido levanto pela manhã para iniciar a caminhada, acordo com uma deliciosa preguiça sob varias camadas de cobertas na cama macia e aconchegante, saio dela quase que prontamente, ao segundo toque do despertador. Vou para o banho, tomo uma ducha quente que me deixa mais desperto, a mochila já esta pronta e a roupa para o primeiro dia também. Mochila nas costas desço escadaria alisando o corrimão. Já no restaurante o café-da-manhã me espera, o silencio impera entre todos que ali estão, imagino que todos estejam concentrados nas próprias expectativas do caminho, mas nem sei se todos irão a ele. Tomo vagarosamente o café até que o relógio mostre a hora marcado para encontrar Torres e Boyco a porta, havia pego frutas e um corassant do café para levar a eles, visto que não sabia se tinha café no albergue, os dois já tinham se alimentado, mas não recusaram a oferta.

Ainda um pouco desorientados em nossos primeiros passos sem equilíbrio seguimos pela cidade a procura das setas amarelas e não demorou muito a encontrar as primeiras, e logo que as encontramos avistamos outros peregrinos. Ver outros peregrinos me dava a sensação de estar no caminho certo e quanto mais caminhávamos mais peregrinos avistávamos. A saída de Saint-Jean é a subida de uma ladeira estreita, cercada por casas, onde alguns carros passavam vez ou outra.

O dia ainda estava por amanhecer, as luzes dos postes iluminavam o caminho e a manhã úmida e agradável, trás frio ao corpo recém acordado. As montanhas ao redor escondem o Sol que luta para rompê-las e aquecer a terra e durante este embate entre o Sol e as montanhas seguimos a acende-las lentamente e aos poucos vemos espaços surgindo entre as casas e não demora até vê-las se esvaírem por completo e  deixarem de fazer parte da paisagem.

O caminho agora é em meio a propriedades rurais que somem no horizonte cercado pelas mesmas montanhas que insistem em segurar o Sol. A pastagem é de verde intenso e alguns animais se alimentam ali. A subida é embalada pelo bate-papo sempre dominado por Boyco e suas muitas historias, a caminhada é cada vez mais ascendente e meu fôlego já não é o mesmo de quando me levantei, os primeiros sinais de cansaço começaram a aparecer, mas sigo firme e em ritmo com meus amigos, o ritmo da caminhada é firme e compassado e de alguma forma sinto que não poderei muito mais agüentar aquele compasso. Mal esse sentimento chega e percebo que preciso parar para um descanso, o ritmo forte está além do que meu corpo permite e já estou além do meu limite. Faço uma pequena pausa, tomo ar, sinto a brisa fria da manhã sobrar meu corpo já bastante suado e logo continuo até de forma mais acelerada para alcança-los; poucos minutos depois já estou na mesma exaustão. Faço mias uma breve pausa e tento outra vez seguir no ritmo deles, mas logo vejo que é inútil insistir e entendo que seria hora de quebrar pela primeira vez o orgulho no caminho e dizer aos meninos que não posso segui-los, que continuarei logo atrás. E foi o que fiz.

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Por que os pais são tão grandes? A arte de Soosh

O ilustrador Soosh Snezhana, apresenta em suas doces e singelas aquarelas o olhar de admiração e encanto das crianças quanto ao quão grandes são os pais em certo momento da vida. Cuidando de sua filhinha no dia-a-dia as ilustrações divertidas mostram o carinho e o desdobramento de um pai gigante e herói com sua pequena princesa.

O personagem de Soosh pode ser exagerado em dimensões, mas por certo é menor que os esforços de muitos pais no cuidado para com os filhos.

Em suas aquarelas, Soosh mostra atividades comumentes atribuídas as mães sendo executadas por um pai. A falta de delicadeza no personagem, suas mãos volumosas e seu corpo ostensivo por vezes retrata o sentimento que muitas mães têm ao permitir que pais cuidem de suas crias. Sem prática dificilmente a delicadeza presente nas mães estará nos movimentos masculinos.

As obras de Sooh são um convite a partilha dos cuidados dos pais aos filhos.

• like father like son • . . . when kiddo was a toddler he liked a lot his toy pram and would proudly stroll with a teddy bear or other animals in it. then people (including my parents) would point out to me he was not a girl and i should buy him more "man" toys.. to which i would say "it is a man's toy. he is leaning how to be a father". . Yes, boys need wooden swords, cars, footballs, wrestling and fighting dragons (just like girls too) but i think this is silly to have such strong devisions. Pink and blue, cars and dolls.. let kids be kids, explore and live with less boundaries. . . . #bysoosh #illustrator #illustration #topcreator #drawing #sketch #sketching #sketcheveryday #watercolor #watercolorsketch #watercolordrawing #big #papa #fantasy #boho #cute #father #son #inspiring_watercolors #love #art_we_inspire #inspiration #myboys #kids #children #dibujo #art #artwork #365 #primitive

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Diga-me onde dói e eu te direi por quê

Já na hospedaria vamos relaxar um pouco, conhecer os novos peregrinos amigos na noite anterior a grande caminhada rumo a Santiago e a auto-descoberta.

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Michael Odoul faz uma alusão em um de seus livros que o inconsciente é como o passageiro de uma carruagem, uma carruagem conduzida por um cocheiro. A carruagem é a representação do nosso corpo físico manifestado neste plano espiritual. O cocheiro é a nossa consciência, nossas vontades, atitudes e o caráter e essa tríade de livre arbítrio nos faz mover por este plano, mas esta mesma tríade que nos move pode nos fazer desviar do caminho de equilíbrio que nos foi planejado para essa vida, e quando isso acontece cabe ao nosso passageiro, o inconsciente que nos rege nessa missão, nos avisar do desvio. Nosso passageiro tem a expectativa de que retornemos ao caminho do meio, porém muitas vezes nos vemos tão entretidos em nossas vontades que paramos de ouvi-lo. Neste momento nosso passageiro se manifesta de forma mais incisiva, e ele o faz através do nosso corpo, o corpo físico é a representação da carruagem conduzida pelo consciente e guiada pelo inconsciente, essa comunicação se da através de sonhos, sensações sensoriais e sinestésicas. Se ainda muito entretidos continuarmos a ignorá-lo ele tentara nos persuadir com manifestações físicas, nos levando a dormências, formigamentos, dores ou qualquer tipo de desequilíbrio corporal. E se, ainda assim nós continuarmos o ignorá-lo ele nos fará parar; como? Experimente.

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