O amor rompido cria monstros

Os olhares fugazes admiram a beleza nova que passa a encantar. Cada vez mais ousados vão deixando de ser fugazes até que enfim se cruzam. O medo de ser descoberto faz com que partam em disparada. O coração acelera, o estomago se contrai e revira; o sangue ferve nas extremidades, as bochechas coram e as pupilas, mesmo sem percebermos dilatam. Característica física típica de fuga de um perigo eminente.  Mas não há perigo, ao menos não até um diga: eu já não te amo mais. O amor foi rompido.

O amor que em ambos durou a eternidade prevista pelo poeta, enfim se apaga, e geralmente ele apaga em um antes de apagar no outro. E este restinho de chama que existe em um é o alimento para os monstros que criamos.

Amar sozinho dói. Principalmente quando o amor deixou de ser platônico. E a cura para essa dor, muitas vezes é alimentar os monstros que abitavam o ser amado. Enquanto em estado de amor, os pequenos monstros do outro são ignorados ou aceitos de bom grado. As pequenas manias, algumas atitudes desagradáveis, a nós, mas não tão significativas são soterradas pelo vermelho intenso e vivo da paixão e do amor. O tom de voz mais elevado nos momentos de euforia; A falta de cuidado ao levantar da cama sem acordar quem dorme; O mau gosto musical quando acompanhado de álcool. Tudo superado. Até que se ouça: não te amo mais.

Enfim eles saltam a superfície, afinal suportávamos tudo aquilo pois amamos e eramos amados, mas agora já não mais faz sentido pintar de colorido este lado cinza do outro. E na dor da rejeição deixamos de lado todos os momentos felizes, todo o cuidado que recebíamos. As flores, o carinho na madrugada, a porta do carro que se abria, os bilhetinhos deixados pela casa; as ligações que só contavam da saudade de algumas horas, o amor do dia-a-dia.

Ninguém mudou nesta relação, mas a percepção e a tolerância mudou e a intolerância e a desculpa de que é mais fácil esquecer um “monstro” nos faz criar uma definitiva imagem do outro cinza e sombria.

Talvez funcione, mas não me parece justo. Sempre a algo a se analisar, as vezes realmente descobrimos monstros os quais não conhecíamos e se conhecêssemos não estaríamos com aquela pessoa, mas precisamos reconhecer os que sempre estiveram presentes e que não nos incomodavam e entendermos que quem amávamos não é só os monstros, ele ou ela é o todo. E por mais que doa, amar as vezes é deixar ir.

 

 

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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