O que é arte?

Muito comum nos dias de hoje, é o questionamento: o que é arte? A algumas semanas, a exposição sediada pelo Santander Cultural, patrocinada pela Lei Rouanet, causou enorme alvoroço pelo conteúdo das suas obras. Três delas foram taxadas de serem portadoras de conteúdo de zoofilia, pedofilia e herege. Esta percepção, mesmo sendo negada pelos artistas e pelos curadores da obra, são de consenso de grande parte da população.

O mundo da arte sofreu mudança significativa em 1917, quando Marcel Duchamp colocou um mictório em uma exposição e afirmou, isto é arte. Ele fez uma marca temporal no mundo da arte, naquele momento nascia um grande questionamento sobre quem e o que define a arte. Historicamente quem definiu o que é arte foram os grupos que detêm poder (seja ele, cultural, financeiro ou de outro tipo). Assim foi o período monárquico, onde obras eram bancadas e definidas por reis. Seguidos pelas obras sacras bancadas pela igreja, então vieram as obras aclamadas pelas grandes corporações e seus patrocinadores.

O marco promovido por Duchamp transferiu a autoridade da definição do que é arte para o artista. Desta forma, podemos dizer que existe um consenso no meio artístico de que arte é o que o artista produz. Porém a interpretação do público pode divergir bastante do artista. Daí a importância do curador. O curador é o responsável por alinhar a expectativa público-artista e desta forma tornar a experiência a mais próxima possível do que o artista gostaria que o público sentisse ao viver sua obra.

O mundo da arte é não diverge do mundo social, onde existem coisas incríveis e coisas terríveis. Onde existe honestidade e simplicidade e também corrupção e ostentação.

A liberdade de expressão pela qual tendemos a lutar sempre terá um limite. O limite do direito. A consolidação das leis de uma nação é o limite definido para a maioria do que é aceitável naquela sociedade. E este é o motivo da lei ser viva e estar em constante atualização, pois assim a sociedade democrática define seus limites. Porém, para que um limite seja alterado, alguém terá de promover esta quebra de paradigma e uma das ferramentas para esta quebra é a arte.

Logo, independente da nossa crença, no sentido mais amplo da palavra, é muito importante que ao experimentarmos qualquer tipo de arte, pratiquemos a empatia com a obra e o artista para realmente podermos vivenciar este momento e talvez até ser parte da quebra de um paradigma social.

Tolerar o diferente de nós e do que acreditamos é fundamental para um debate justo e engrandecedor. Se cercar de opiniões e visões idênticas as nossas apenas nos torna mais do que já somos.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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