A comida é uma expressão da sua essência.

Cada prato exige do cozinheiro certa habilidade e característica. Para muitos pratos a paciência é característica indispensável, pois mesmo com uso de ferramentas e utensílios para tentar acelerar o tempo e antecipar o resultado, porém nenhuma antecipação vem sem custo. E não é sem custo monetário é sem custo em sabor.

O sabor é o principal pilar da cozinha, porém apresentação, técnica e harmonização são pilares extremamente importantes. Quando se consegue sustentar um prato sobre estas bases o resultado provavelmente será fantástico.

Cozinhar por prazer e sem pressão profissional te permite alinhar o prato ao seu estado de espirito. Em um dia de paz interior e de tranquilidade, um prato que exige dedicação integral e paciência, pode ser um grande recurso para se envolver-se por inteiro em uma atividade e permitir que a mente calma descanse. A pratica do mindfulness.

Pude dedicar três horas do meu dia na construção desta torta. E ao final, mais que satisfação pelo sabor e pela beleza, me senti satisfeito por estar em paz integrado aquela prato.

O prato é de simples execução, porém exige paciência e dedicação. Caso disponha de algumas horas experimente. Não se prenda a ferramentas e utensílios. Uma garrafa de vinho, o qual pode ser esvaziado durante esse período, pode ser o abridor de massa e uma faca pode ser utilizada para fazer os fios que decoram a torta.

Para o recheio separei 2 coxas, 2 sobre-coxas e 1 pedaço de peito de frango. 1 lata de tomate pellati. 1 porção de azeitonas. 1 cebola grande; 8 dentes de alho; 4 pimentas jamaicana (ela é puramente aromática, não é picante); 4 pimentas do reino; 1 pimenta bode grande; 1 punhado de sal; 3 folhas de louro.

Em um pilão macere todos os temperos e o sal, a exceção das folhas de louro.

Esfregue bem a mistura no frango e deixe descansar por alguns bons minutos.

Enquanto nosso frango absorve sabor, vamos iniciar o preparo da massa.

Para o preparo, separe 500 gr de farinha de trigo; 1 colher de sopa de açúcar; 1 colher de sopa (rasa) de sal; 1 xicara de agua; e 115 gr de banha de porco.

Respire, sinta os aromas exalando da mistura.

Em uma panela, coloque e aqueça a água, o açúcar, o sal e a banha de porco. Após esta mistura estar morna e consequentemente a banha ter praticamente derretido. Regue, lentamente, a farinha previamente peneirada. Com auxilio de um garfo trabalhe a mistura até ter adicionado todo o liquido.

Uma vez integrado todo o liquido a farinha sove a massa sem pressa. Exercite os músculos do braço, ombro e clavícula. Sue. A força e o exercício dispendido na mistura fará com que o amido se ative deixando a massa elástica e homogênea.

Relaxe, tome um gole do vinho.

Após este processo deixe descansar por cerca de 30 minutos. Se até o momento não tem música nessa cozinha, talvez seja o momento de colocar uma.

 Este é um bom momento para trabalharmos o frango. Em uma panela de pressão adicione 2 colheres de manteiga de leite ou outra gordura do seu gosto. Refogue os pedaços de frango até ganharem alguma cor. Adicione 1 cebola cortada em cubos. Deixe refogar mais uns minutos; cubra a mistura com água e deixe na pressão por 20 minutos. 20 minutos de pressão.

Sinta a cozinha aquecer. Ouça a panela chiar.

Nossa massa já descansou. Podemos abri-la, somente a metade, a outra metade utilizaremos na cobertura. Com um rolo para massa ou com a garrafa de vinho (após ter consumido seu conteúdo), massageei a massa até que que tenha um disco fino e de tamanho adequado a assadeira escolhida.

Nosso frango já deve ter cozido. Tire a pressão, escorra o caldo completamente. Não o descarte, ele será um excelente bordô para um risoto ou para qualquer outro uso.

Prove o caldo, imagine qual será o prato que um dia ele irá compor.

Feche novamente a panela. Envolva um pano de prato de uma alça a outra, prendendo o pino para que este não saia. Neste momento agitaremos a panela com vigor, com os pedaços de frango dentro. Após cerca de 30 ou 60 segundos. Você abrirá a panela e verá que o frango está inteiramente desfiado, bastando apenas recolher os ossos na mistura.

Lembra da nossa lata de tomates, chegou o momento dela. Leve a panela novamente ao fogo, despeje os tomates e o molho, acrescente meia xicara do caldo e deixe cozinhar. De tempos em tempos mexa a mistura e amasse os tomates. Acerte o sal.

O recheio já pode preencher nossa massa já na assadeira. Espalhe com delicadeza. Que tal um pouco de queijo sobre o recheio?

Vamos agora trabalhar as fitas de massa que irão decorar nossa torta. Caso você possua um cilindro para macarrão este é o momento de usa-lo, caso não possua é hora de pegar aquela faca e trabalhar a coordenação motora.

Não abra toda massa de uma vez, em contato com o ar ela tende a ressecar e perder elasticidade. Abra pequenas quantidades por vez.

Abra a massa tão fino quanto possível. Tente mantê-la em formato retangular e de preferência em tamanho superior ao comprimento da assadeira.

Após abrir, corte o mais reto possível, as fitas que decorarão a torta. Lembre-se que existe muita beleza na imperfeição.

Gentilmente coloque a fita sobre a torta recheada e com uma leve pressão ligue as pontas da fita a borda da massa de base para o recheio.

Respire.

Repita o processo.

Tome um gole de vinho.

Repita o processo.

Ouça a música.

Repita o processo.

Admire seu trabalho.

Repita o processo.

Ouça a música.

Repita o processo.

Quando a massa acabar, ou você entender que seu trabalho se findou. Leve a torta o forno por 20 minutos a 200 graus, sem dourador. Após estes 20 minutos iniciais, ligue o dourador e deixe por mais 20 minutos. Porém monitore o forno. Não abandone sua torta lá.

Enjoy and mindfulness.

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Percebi que nunca ter jogado futebol pode ter me tornado mais cooperativo

Em geral temos reações naturais e automáticas a situações não vividas anteriormente, quando digo natural, me refiro a não racionalização da reação. Vamos a situação que me fez partir para esta reflexão. A alguns dias, nosso compatriota Neymar Jr se envolveu em uma polêmica e foi vaiado pela torcida de seu clube, o Paris Saint-Germain (PSG). A atitude de Neymar foi natural e não me parece maldosa ou ofensiva, mas foi o suficiente para uma enxurrada de vaias e críticas. Durante uma partida, na qual ele defendia de forma primorosa a camisa de seu time, ele já havia feito três gols, e o marcador apontava 7 x 0 em favor do PSG, quando um pênalti foi marcado para aquele time. Neymar, como batedor oficial do clube, teve sua reação natural, foi para marca do pênalti e após autorizado converteu a penalidade em gol. O gol em questão só consolidou a vitória esmagadora de 8 x 0 do PSG sobre o DIJON. Mas como um jogador que faz quatro gols em uma partida onde houveram oito pode ser vaiado?

Na minha reflexão, faltou em Neymar uma atitude cooperativa. Neymar ficou no âmbito exclusivo do competitivo. Saliento que esta não é uma crítica ao Neymar e sua atitude e sim uma reflexão em como nos comportamos em reações naturais. Vamos ao ponto onde creio que ele poderia ter sido cooperativo. Neste jogo, entre os outros dez jogadores em campo, que compunham o time de Neymar, havia um que se destacava. Se destacava, pois, aquela era uma partida que poderia ser um grande marco em sua carreira. Falo de Cavani. Cavani poderia naquela partida bater o record histórico de gols pelo PSG. Ele foi quem sofreu o pênalti em questão e se convertesse a cobrança, faria seu 157° com a camisa do time. Sendo considerado assim, o maior goleador da história do clube. Aparentemente sem racionalizar a situação, e em uma reação natural, Neymar fez o seu trabalho. Bateu o penalti e o converteu gol.

Não sou boleiro e é fácil analisar o comportamento de alguém, e se imaginar no lugar deste, depois que tudo aconteceu, mas tenho indícios e posso lembrar de situações semelhantes nas quais minhas atitudes foram diferente da de Neymar. E acredito ser este o grande poder da empatia. Quando se pratica a empatia diariamente estas atitudes naturais, ou não racionalizadas, tendem a ter um olhar para o bem estar do todo. Neymar tecnicamente demonstra ser o melhor jogador do PSG, porém para a torcida a julgar pelas vaias, era mais importante naquele momento deixar a técnica abaixo da empatia. A consagração de um grande marco a um jogador querido pelo retrospecto construído no clube era mais importante que o incremento de placar em um resultado já estrondoso. Neymar tem apenas 24 anos e tem como bagagem de vida a competição no mais alto nível, não seria nada empático julgar o comportamento do jovem atleta, porém este nos serve de reflexão para que tipo de bagagens temos carregado e como estas influenciam nossas atitudes naturais. Como estão suas bagagens por ai?

Quando olho para as minhas, vejo que elas são as que eu gosto de carregar, mas estão em constante renovação. Vivi a aplicação de uma destas bagagens a pouco e a compartilho com vocês: trabalho a quase 10 anos em uma Instituição cooperativista, e a pouco fiz um treinamento sobre Negociação e Administração de Conflitos. Após ¾ do curso já transcorrido, ou seja, com uma bagagem de negociação e administração de conflitos já construída, fizemos uma dinâmica na qual os 10 participantes do curso foram divididos em 5 duplas. Cada dupla recebeu um envelope com alguns itens e uma tarefa: entregar uma série de itens artesanais, venceria a dupla que primeiro entregasse todos os itens perfeitamente construídos. Porém nenhum envelope tinha todo o material suficiente para completar a tarefa. O objetivo da dinâmica era ver nossa capacidade de negociar a troca dos itens para concluir a tarefa. Incitados pela competição, agregava ao objetivo da dinâmica a nossa capacidade de administrar conflitos sob a pressão de uma competição. No entanto, mesmo com a bagagem de negociação e administração de conflito passada pela facilitadora, nossa bagagem cooperativista falou mais alto e ao invés de competirmos para ver qual dupla entregaria a tarefa primeiro os 10 participantes se juntaram e entregaram JUNTOS um único kit com todos os itens solicitados. Entendemos que desta forma atenderíamos o pedido do cliente, visto que apenas a primeira entrega correta seria premiada, logo não seria necessário uma competição, a cooperação era mais vantajosa para todos.

O senso de competição nos move e nos promove, mas precisamos sempre fazer uma reflexão a respeito de quais competições merecem nosso envolvimento.

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O que você faria se soubesse que irá morrer no dia 23/01/2021?

Guarde esse pensamento. Vamos caminhar um pouco antes de você expor sua resposta. Faremos este caminho a partir de uma pergunta semelhante. Se te contam o fim de um filme, ou se te dizem o que encontrará no fim de uma caminhada, o filme e a trilha já não fazem sentido?

O fim ou a chegada, muitas vezes parece ser a única parte que interessa na jornada, mas um filme fica distante de seu proposito se assistido somente pela ultima cena. Assim como um livro lido somente o último capítulo, porém uma trilha árdua e penosa pode ser substituída por uma carona e assim pode-se curtir de pronto a cachoeira que existe no fim, quase sem prejuízo, certo?

Afinal, o que difere as duas experiências, a cachoeira é boa com atalho e o filme não? Saltar todo o filme ou assisti-lo em modo acelerado para curtir apenas a ultima cena, onde toda a trama se resolve ou folear um livro e ler somente o último capítulo não é diferente de pegar uma carona para passar rapidamente pela trilha e viver apenas a cachoeira. O que se faz nas três experiências é deixar de viver completamente a jornada, valorando apenas o fim ou a chegada. Em tempos cada vez mais acelerados, a tentação de se pular etapas ou acelerar experiências é cada vez maior. A ânsia por chegar ao fim de algo, por acreditar que lá é onde se encontra a felicidade, o relaxamento, e a paz, faz com que deixemos de viver as belezas do dia-a-dia e o do caminho.

Logo, fazer as melhores escolhas é sempre importante, pois muitas vezes não poderemos caminhar todas as trilhas, nem ler todo os livros ou assistir a todos os filmes. Desta forma, nossa sugestão é: viva por inteiro as jornadas que você pode viver e aproveite as cachoeiras no fim da trilha. Nem sempre você poderá chegar a cachoeira pela trilha, por vezes precisará de carona e se esse momento chegar, curta a carona e no fim se esbalde na cachoeira. Todos os momentos podem ser incríveis, basta estar aberto a eles.

A chegada é um passo significativo, mas ela é só mais um passo da jornada e nem sempre é o maior ou mais importante.

Voltando a nossa pergunta do início. Acredito que se soubesse quando iria finalizar sua jornada nesta vida, você escolheria viver cada passo dela e não acelerar o filme para ver logo o fim.

 

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Annita, beleza e celulite.

Em cada século padrões de beleza, comportamento e ética são criados, consolidados e aceitos. Com o passar do tempo esses padrões vêm se atualizando cada vez mais velozmente. Seguindo o ritmo de nossa sociedade. Esta consolidação passou de séculos para gerações, depois para décadas e hoje podemos ver até padrões nascendo, se consolidando e morrendo anualmente.

Os padrões atuais ainda cultuam mulheres impossíveis, de cinturas finíssimas, em comparação ao quadril. Quadril este, que deve ser avantajado, com bumbum redondo, quase na nuca e tão duro como um bíceps malhado. Os seios devem ser fartos e desrespeitar a gravidade. Os lábios precisam ser carnudos, as coxas grossas e musculosas. Ah, e não podemos esquecer dos cabelos, que devem ser lisos, brilhantes e com penteados de salão diariamente.

parabéns Anitta por se amar.

Para construir essa mulher impossível, abre-se mão de tempo, auto-amor e saúde. E a métrica usada para o sucesso é a quantidade de likes e comentários em cada post em uma das inúmeras redes sociais.

A busca incansável pela beleza, que é mutável a cada século, geração, ano ou circulo social, precisa ser observada sempre. Pois tem se tornado um cancerá e destruído principalmente as mulheres.

Afinal, o que é beleza?

“Apesar de não haver consenso sobre o que significa ser bela, por se tratar de um conceito subjetivo, o qual varia a cada cultura, já que a estética corporal é um elemento cultural que muda com cada representação de mundo (Queiroz & Otta, 2000)” – Corpos em revista: a construção de padrões de beleza na Vogue Brasil

E uma forma de ampliar nosso conceito de beleza é passar a consumir conteúdos os quais valorizem belezas naturais e respeitem o biótipo e as limitações sociais, culturais e humanas de cada um.

Pois como dito, na monografia de conclusão do curso de psicologia, O CORPO PERFEITO E SEU PROCESSO DE  CONSTRUÇÃO PSICO-SÓCIO-CULTURAL

“Na maioria das vezes, é mais fácil aceitar o que é imposto de fora, como aceitar os valores do outro do que enfrentar os fantasmas que circundam a singularidade de cada um. Desta forma alguns valores são compartilhados coletivamente sem respeitar a singularidade do sujeito, como por exemplo, a busca por um corpo tido como perfeito e idealizado pela sociedade.

Freud (1914) esclarece que o narcisismo do indivíduo surge deslocado em direção a um ego ideal. Considera que o sujeito na fase infantil, fixa um ideal em si mesmo e permanece em contato com seu ego real, mas com o tempo, com seu desenvolvimento, o sujeito começa a reconhecer idéias culturais e éticas como um padrão a ser seguido por si próprio, com base nas exigências impostas pelo meio externo.”

Deixamos abaixo alguns perfis, de pessoas humanas e naturais, que buscam uma beleza que respeita seus próprios corpos e o que elas são de verdade. Este é um convite a apreciarmos e a aceitarmos o natural de cada corpo.

https://www.instagram.com/nonairbrushedme

https://www.instagram.com/karinairby

https://www.instagram.com/japanesee

https://www.instagram.com/bebody_positive

 

 

 

 

 

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Id, ego e superego, o que você faria se só te restasse esse dia?

O que você faria se só te restasse esse dia? O que você faria se ninguém estivesse olhando? Quando a eminencia do fim ou ausência de julgamento ou a inexistência de mascaras sociais é quando o nosso Id aparece. Esse é o seu Eu sem nenhum filtro social, um ser egocêntrico que atende somente aos seus desejos. Sigmund Freud dividiu o ser em três forças: o Id, o Ego e o Superego. E cada um deles tem papel de extrema importância no ser que nos tornamos.

O Id é nossa essência mais básica, todos nós já nascemos com ele e podemos associa-lo aos nossos instintos e desejos mais primitivos. Estes desejos, vontades e pulsões primitivas são basicamente ligadas ao prazer imediato. A partir do Id se desdobram as outras duas forças que compõe cada ser, o Ego e Superego.

O Ego é o responsável pela aplicação dos filtros sociais e culturais aos nossos instintos e desejos mais primitivos, o Id. O Ego é o responsável pelo equilíbrio do ser, regulando os impulsos e desejos do Id, porém sem deixar de satisfazê-los. O Ego trabalha com um sistema de compensação de modo menos imediatista e mais realista. O Ego é responsável por manter nossa sanidade social, nos tornando seres sociais. Segundo Freud, o Ego inicia seu desenvolvimento nos primeiros anos de vida do ser.

O Superego se desenvolve a partir do Ego, ele é o catalizador das experiências sociais do indivíduo, tornando-as valores morais e culturais do ser. O Superego orienta o Ego, apontando a este o que é ou não moralmente aceito, de acordo com os conceitos sociais e culturais nos quais o indivíduo esta inserido. De acordo com Freud, o superego começa a surgir por volta dos cinco anos.

Retornando as perguntas do início, que tal um exercício, que tal observar como é o seu Id e estas outras três forças? Você tem consciência deles e de como está o seu equilíbrio? Pratique o exercício sugerido pelo movimento mindfulness, contido em nosso artigo mindfulness – a leve arte de estar presente ,  e comece a ter mais consciência do seu Eu.

Como dica, deixamos ainda a recomendação do filme Urge, um experimento ficcional de uma sociedade onde todos são puramente Ids. Atenção, o filme tem cenas fortes.

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Mindfulness, a leve arte de estar presente

Mindfulness, a leve arte de estar presente. Comecemos com um exercício, experimente ler o trecho abaixo, destacado entre aspas, sentindo-o.

“…Acordo em um salto para fora da cama. A tempos o zunido histérico do despertador se repete após inúmeros toques no botão soneca. Entre um semi-cochilo e outro, o tempo implacável se adiantou e “me fez” estar atrasado.

No banho, distraído, pois já estando com a mente acelerada, adiantando todo o trabalho da reunião na qual já devia estar, me perco e não sei se usei ou não o shampoo nos cabelo. A dúvida me faz acelerar mais ainda os pensamentos, e na ausência de certeza, passo novamente, ou não, shampoo nos cabelos. Já saio do banho suado. As roupas se vestem em mim. Desço as escadas correndo, passo pelos vizinhos e porteiro, sem nem vê-los;  entro no carro e saio em disparada…”

Veja como apenas lendo este trecho, com empatia, é o suficiente para estarmos exaustos. E essa sensação não vem ao acaso. Viver em um mundo cada vez mais dinâmico e repleto de  multitarefas é o suficiente para exaurir. Constantemente cobrados por eficiência e por entregas, atropelamos processos, ritos e principalmente pessoas.

O movimento mindfulness é a tentativa de resgate da plena atenção a cada atividade, inclui-se em atividade, o simples fato de ouvir o outro. Diversos estudos recentes mostram que não somos tão eficientes, como acreditamos ser, em múltiplas atividades. Um  estudo conduzido pela  Universidade de Utah, concluiu que apenas 2,5% das pessoas têm a capacidade de fazer (com desenvoltura) diversas atividades ao mesmo tempo. Estas pessoas são classificadas como os supertaskers. Segundo os pesquisadores, boa parte dos 97,5% restantes até tenta se desdobrar em vários, mas estão fadados à frustração. Diante do exposto, sejamos sinceros, a chance de ser um dos 2,5% desta população é muito baixa. Logo, ao menos experimente não ser multitarefa e veja como seu corpo se comporta.

Que tal um desafio, pratique por uma semana o pequeno exercício de mindfulness descrito abaixo.

Reserve 30 segundos para cada um dos seguintes passos;

Faça isso 3 vezes ao dia;

1- Pare no meio de alguma atividade cotidiana. Traga a atenção para a sua respiração, nas sensações em volta do seu estomago, a maneira que ele infla quando inspiramos, a sua volta a posição original quando expiramos.

2- Sinta as sensações corporais que ocorrem nesse momento, tensões musculares, dores, qualquer sensação e não tente modifica-la, apenas tome nota da sua sensação.

3- Tome nota das sensações que você esteja experienciando, por exemplo: “Estou agitado”  ou “Há agitação”. Não tente modifica-la, aceite-a.

4- Traga a sua atenção ao seu corpo, às sensações e como você esta as experienciando. Conecte-se com elas, sem julgar ou comentar e apenas respire com elas. Permita-se apenas estar e relaxar com qualquer coisa que esteja presente.

fonte: iniciativa mindfulness

 

 

 

 

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Relacionamentos abusivos e tóxicos, o egocentrismo e o epicurismo.

O ser egocêntrico, que vive exclusivamente seus desejos, esquece-se de olhar para o outro com quem divide o relacionamento. Focado apenas em si e em suas vontades, esse ser espera que a pessoa, que em sua mente, somente o acompanha no relacionamento o siga e adapte-se as suas vontades. Tóxica essa relação será unilateral e agradará apenas a um, enquanto o outro torna-se refém e dependente de alguns afagos recebidos periodicamente.

Já o ser epicuro, passivo e anestesiado é refém de sua própria apatia. Focado na autocontemplação, satisfaz-se com que recebe. E de forma alguma atenta-se as lacunas do outro, lacunas as quais ele poderia ajudar a sanar impulsionando o relacionamento, e o outro, para um novo grau de evolução.

Porém, quando o ser epicuro encontra um ser egocêntrico o relacionamento se torna mais tóxico e abusivo. Dotado de vontades e desejos unilaterais o ser egocêntrico guiará o relacionamento para onde acredita ser o caminho, que por certo é a satisfação de seus desejos pessoais. E o ser epicuro, por sua vez contemplará aquele guia e girará em torno deste até que queime suas asas, como uma mariposa em busca da lua.

O  equilíbrio entre o epicurismo e o egocentrismo pode ser a resposta para o fim das relações toxicas, apáticas e abusivas. Pois quando insatisfeito com algo, esse ser equilibrado e empático, compreende a lacuna existente no próximo e desta forma procura ampara-la. Com dialogo, serenidade e temperança, apoiará o outro para que este preencha a lacuna existente ou entenderá ser esta uma característica imutável do outro. Porém uma vez exposta a lacuna e esta sendo sanada ou não, agora, como um casal, em conjunto eles podem escolher, continuar ou não nesta relação.

O diálogo, provavelmente é o melhor caminho para expor as lacunas de um relacionamento, porém o diálogo é somente uma ferramenta para tal. E este dever vir cheio de empatia, serenidade e temperança.

Desta forma, […inúmeras palavras caberiam aqui, qual você escolheria?…Covardia? Triste? Traição?] é nem procurar em quem se está o que facilmente encontrará em outra. Pois assim, de forma abusiva teremos um relacionamento parcial, onde só se atende as necessidades pessoais, incluindo novas figuras ao relacionamento em uma vontade unilateral.

Construa um relacionamento equilibrado e sincero com: empatia, dialogo e temperança.

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Caloria ruim…

O professor Carlos Augusto Monteiro , da Universidade de São Paulo – USP, apresentou recentemente o artigo “Consumo de alimentos ultraprocessados, perfil nutricional da dieta e obesidade em sete países” no 21º Congresso Internacional de Nutrição, em Buenos Aires, na Argentina. Um dos dados que mais chama atenção no estudo é o de que 21% de toda caloria ingerida, diariamente, pelo brasileiro advém de produtos  industrializados. Já falamos aqui sobre os riscos que a praticidade dos alimentos Processados e Ultra processados trazem a nossa saúde e principalmente dos nossos pequenos.

Comida saudável não tem gosto ruim

“Alimentos in natura vêm diretamente das plantas ou animais, nessa categoria entram as folhas, frutos, ovos, leites e outros. Estes alimentos não sofrem nenhuma alteração após serem “coletados”. Os minimamente processados são os in natura que passaram por alterações mínimas. Entrariam nesta categoria os grãos secos, como o arroz; ou as farinhas de mandioca ou de milho; as raízes ou tubérculos lavados; cortes de carne resfriados ou congelados e também o leite fervido.

Os processados, aqui começa o perigo, são produtos fabricados essencialmente com um alimento in natura o qual recebe sal ou açúcar. Como legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães. O grande vilão destes alimentos é a quantidade de sal e açúcar utilizado.

 Os ultraprocessados, fuja destes, correspondem a produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Exemplos incluem refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e macarrão instantâneo.”

 Mas, mesmo com o alto grau de consumo de alimentos industrializados ainda estamos bem, se comparados a outros países como Estados Unidos e Reino Unido, onde as pesquisas do professor Carlos Augusto Monteiro, apontam para um consumo diário de até 60% das calorias em alimentos industrializados.

O estudo do professor, reforça a mudança cultural danosa pela qual temos passado. Com a substituição de produtos naturais, in natura ou manipulados em casa, por produtos industrializados que saem diretamente da lata, da geladeira ou do micro-ondas para a mesa da família.

O rito e a mística da cozinha deve ser incentivado entre as gerações e pode fazer parte do dia a dia das famílias. Partilhar a confecção do alimento é uma forma de resgatar o convívio diário da família, além de uma forma iniciática e filosófica de transferência de conhecimento através da metodologia mestre discípulo. Nela, filhos aprendem com seus pais e mães, que por sua vez aprenderam com seus genitores e desta forma este conhecimento milenar é transferido.

Na próxima refeição, observe seu prato e veja o quanto de processado e ultraprocessado existe nele.

 

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O velho banco de madeira.

A lenha fumegante arde em brasas e estalos, trazendo luz e calor, a noite fria e chuvosa que umedece aquela antiga casa. Casa construída com suor e barro trabalhado pelos dois e sua prole.

Conduzindo as panelas sobre a grelha do fogão à lenha, a velha senhora caminha hora de forma reta e certeira, hora como o balanço de um pequeno barco a mercê das ondas. Seu vestido florido e os cabelos cacheados, obedecem aos movimentos de seu corpo e em função da perna que a conduz, a reta ou a das ondas. De seus lábios, quase tão periodicamente quanto o balanço do seu corpo, saem baforadas quentes, brancas e densas, tais como nuvens das tardes de primavera.

De fronte para o antigo fogão a lenha, o velho senhor mantém-se sentado em sua antiga cadeira de madeira, mesma cadeira que tantas vezes serviu de escada da construção da casa. Na mesa ao seu lado, um monte de palhas de milho seco, recém colhidas no paiol, o aguardam sem nenhum tratamento.

Junto as palhas, um pote de plástico, que é de cor mais ou menos laranja incandescente à escolha das brasas que arde a frente. Deste, o velho senhor retira um canivete de cabo simples e amarelado pelo tempo.

Sua lamina afiada, tão quanto antes, a custo de amolações constantes, corta a palha de milho até deixá-la em formato retangular simétrico. Não demora e a pilha disforme de palhas é vencida e uma nova se forma com as mesmas, porém, agora organizadas e idênticas. O velho canivete ainda não terminou seu trabalho, a pilha começa a ser consumida outra vez. Cada palha, agora retangular, é raspada em frente e verso. até que perca toda sua aspereza e estrutura rija. tornando-se uma delicada, maleável e translúcida folha de palha de milho seco. À pesar de muito menor que a pilha anterior, a nova pilha contém as mesmas quarenta de antes.

Ainda com o canivete em mãos, o velho senhor traz para si o aromático cilindro de fumo de rolo, que em forma de corda se enrola em uma haste de madeira. E deste começa a cortar nacos. Pacientemente cada um desses nacos é picotado em pequenas e estreitas laminas. A idade do canivete se revela no ventre de seu lombo, com o abaulado em sua lamina moldada pelos anos de labuta. Logo as finas laminas de fumo se acumulam em um monte sobre a mesa e o canivete ao findar seu trabalho volta ao pote para mais uma noite de descanso.

Os dedos ainda ágeis, marcados pelos anos e pela lida na roça, esmiúçam cada lamina de fumo picado até que o monte se transforme em finas linhas de fumo e em pó de tabaco. Este novo monte não durará muito tempo, pois cada palha cortada, aparada e raspada começa a receber quantidade generosa de tabaco seco e desfiado. E que logo é enrolada, formando um cilindro que prende o tabaco em seu corpo e então é selado com saliva que percorre toda sua extensão lateral. Por fim suas pontas são dobradas para que nenhum tabaco escape dali.

Uma a uma a pilha vai se esvaindo até que o pote alaranjado esteja cheio de cilindros de palha recheados de tabaco. Garantindo assim baforadas de nuvens para esta noite e para o dia seguinte.

Sentado no velho banco de madeira, lustrado e polido pelo tempo, seus pés pequeninos custam alcançar o chão.

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O que é arte?

Muito comum nos dias de hoje, é o questionamento: o que é arte? A algumas semanas, a exposição sediada pelo Santander Cultural, patrocinada pela Lei Rouanet, causou enorme alvoroço pelo conteúdo das suas obras. Três delas foram taxadas de serem portadoras de conteúdo de zoofilia, pedofilia e herege. Esta percepção, mesmo sendo negada pelos artistas e pelos curadores da obra, são de consenso de grande parte da população.

O mundo da arte sofreu mudança significativa em 1917, quando Marcel Duchamp colocou um mictório em uma exposição e afirmou, isto é arte. Ele fez uma marca temporal no mundo da arte, naquele momento nascia um grande questionamento sobre quem e o que define a arte. Historicamente quem definiu o que é arte foram os grupos que detêm poder (seja ele, cultural, financeiro ou de outro tipo). Assim foi o período monárquico, onde obras eram bancadas e definidas por reis. Seguidos pelas obras sacras bancadas pela igreja, então vieram as obras aclamadas pelas grandes corporações e seus patrocinadores.

O marco promovido por Duchamp transferiu a autoridade da definição do que é arte para o artista. Desta forma, podemos dizer que existe um consenso no meio artístico de que arte é o que o artista produz. Porém a interpretação do público pode divergir bastante do artista. Daí a importância do curador. O curador é o responsável por alinhar a expectativa público-artista e desta forma tornar a experiência a mais próxima possível do que o artista gostaria que o público sentisse ao viver sua obra.

O mundo da arte é não diverge do mundo social, onde existem coisas incríveis e coisas terríveis. Onde existe honestidade e simplicidade e também corrupção e ostentação.

A liberdade de expressão pela qual tendemos a lutar sempre terá um limite. O limite do direito. A consolidação das leis de uma nação é o limite definido para a maioria do que é aceitável naquela sociedade. E este é o motivo da lei ser viva e estar em constante atualização, pois assim a sociedade democrática define seus limites. Porém, para que um limite seja alterado, alguém terá de promover esta quebra de paradigma e uma das ferramentas para esta quebra é a arte.

Logo, independente da nossa crença, no sentido mais amplo da palavra, é muito importante que ao experimentarmos qualquer tipo de arte, pratiquemos a empatia com a obra e o artista para realmente podermos vivenciar este momento e talvez até ser parte da quebra de um paradigma social.

Tolerar o diferente de nós e do que acreditamos é fundamental para um debate justo e engrandecedor. Se cercar de opiniões e visões idênticas as nossas apenas nos torna mais do que já somos.

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