Albergue de Orisson, meio dos Pirineus

Após muito sacrifício chego ao albergue de Orisson, cheguei a pensar que meu dia terminaria ali, mas depois de comer algo e reencontrar Boyco e Torres, as forças retornaram e pude continuar.

Não se esqueçam de sugerirem, criticarem e participarem da construção deste livro que representa cada peregrino em suas jornadas pessoais.


Cada passo era uma batalha vencida e depois de algumas poucas horas de luta estou exausto e a procura de um lugar para descansar e meu desejo é atendido quase que de imediato e logo ali a minha frente está o albergue e restaurante Orisson. Avisto Boyco e Torres sentados, os dois expressavam tranqüilidade e serenidade, além é claro de disposição. Exatamente o oposto de como me sentia ali, mas ver aquele lugar e os dois me deu esperanças, sabia que uma bebida quente naquele dia frio e um pouco de comida me daria conforto e energia.

Peço uma xícara do que estão bebendo e posso jurar que aquela xícara de leite quente veio de algum tipo de gado sagrado que vivia no alto dos Pirineus, e com toda certeza era cuidado por monges tibetanos importados exclusivamente para isso.

A bebida é revigorante, e me sento quase tão bem quanto quando sai de Saint-Jean. Observo a paisagem que emoldura aquele lugar, ele fica em um platô e a rodovia o separa em duas partes, à direita o albergue antigo e muito bem cuidado. Paredes feitas de pedra e madeira com dois pavimentos. Logo a sua frente uma grande arvore sem folhas e muito majestosa. Do lado direito daquela arvore uma fonte que jorra água fresca, pra não dizer gelada, serve os peregrinos que por ali passam. As raízes da arvore brincam na linha tênue que separa o fim daquele platô com o inicio de um profundo e extenso vale que segue longe no horizonte até alcançar uma fileira de montanhas que se sobrepõem uma após a outra. As montanhas empilhadas alcançam um céu azul iluminado e salpicado por nuvens que formam formas com as quais se pode brincar.

Junto com o leite pedi também um bocadilho de presunto. Ainda não tenho fome, mas sei que necessito de comida para logo mais. O pão me parece muito fresco tem uma crosta crocante e seu interior tem aparência macia. O tradicional e mundialmente famoso presunto curado espanhol recheia aquela obra da confeitaria e sua gordura derrete no pão ao menor sinal de calor deixando seu miolo sedoso e com sabor intenso. Depois de algum tempo apreciando o pão não resisto e lhe dou uma mordida por curiosidade, e depois mais uma por confirmação e uma outra para ter certeza e uma mais em contra-prova, e sim, mesmo sem fome aquilo era fantástico.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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