Chegada a Saint-Jean-Pied-de-Port – A credencial de peregrino

De táxi e com novos amigos, e já peregrino, seguimos de Roscenvalles até a caminho da cidade francesa de Saint-Jean-Pied-de-Port para iniciar a jornada pelo caminho de Santiago de Compostela. Lá selo pela primeira vez minha credencial de peregrino.

Não se esqueçam de sugerirem, criticarem e participarem da construção deste livro que representa cada peregrino em suas jornadas pessoais.

Saint-Jean-Pied-de-Port-3


Como iríamos de táxi, Torres sugeriu que conhecêssemos a Plaza del Toro e a rua onde acontece a tradicional festa de San Firmin. Nesta festa pessoas correm por uma rua fechada e cercada por taboas de madeira para que os comércios não sejam danificados após serem invadidos por algum touro enfurecido. Estes touros são soltos no inicio da rua e sobem correndo atrás destes foliões valentes que os desafiam. Todos os foliões corredores usam camisas brancas e lenços vermelhos no pescoço, alem disso têm nas mãos um tubo feito de jornal enrolado para cutucar o touro caso ele chegue muito perto. Fico imaginando o quanto os touros devem ficar intimidados vendo aqueles bonecos com um pedaço de jornal nas mãos, mas enfim, é assim que funciona. Depois de caminharmos pelas ruas do trajeto dos touros chegarmos a Plaza del Toro onde termina a corrida e os touros entram na grande arena logo atrás dos corredores que são aplaudidos pela sua bravura. Eu usaria outra palavra para a atitude deles.

Chamamos um táxi e aguardamos alguns minutos. Assim que ele chega, Torres nosso guia espanhol, toma assento no banco da frente e eu e Boyco entramos no banco de trás. De pronto o motorista explica que a estrada é muito sinuosa e algumas pessoas passam mal, logo se ficarmos enjoados devemos avisá-lo para que ele encoste. Imagino eu que alguém deve ter passado mal sem nenhum aviso a ele e com certeza lhe sobrou bastante trabalho para limpar o carro. Tratei logo de abrir a janela, não sou muito bom em estradas sinuosas.

Após algum tempo no carro e algumas curvas tudo vai muito bem e nem sinto a estrada sinuosa, acho que estou meio deslumbrado pela paisagem e imaginando que logo estarei passando por aquele caminho de novo, mas será fora do carro, a pé e com mochila nas costas.

O restante da viagem transcorre sem dificuldades e com pouco mais de uma hora chegamos à França, chegamos à Saint-Jean-Pied-de-Port. O motorista nos deixa na porta da oficina dos peregrinos, local onde os peregrinos são recebidos e selam suas credenciais e pegam orientações a respeito do caminho. Nesta oficina trabalhava Madame Debrill, uma das figuras lendárias do caminho, ela é autora da frase imortalizada entre os peregrinos

“O peregrino caminha o quanto pode, não o quanto quer.”

Ela hoje já não cuida mais dos peregrinos terrenos, já trabalha oriente eterno.

Na oficina observo o obvio, todos os voluntários falam francês, mas o processo já esta tão automatizado que o idioma não é um entrave, com certeza se eu falasse francês poderia entender o que estão dizendo e quem sabe até ouvir alguma historia bacana, mas ouço apenas sons que são gostosos de se ouvir e por fim tudo da certo e recebo o primeiro carimbo na minha credencial.


Não se esqueçam de sugerirem, criticarem e participarem da construção deste livro que representa cada peregrino em suas jornadas pessoais.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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