Pura contemplação e instrospecção

Então só e em ritmo apropriado a subida passa a ser pura contemplação e introspecção.

Não se esqueçam de sugerirem, criticarem e participarem da construção deste livro que representa cada peregrino em suas jornadas pessoais.


Após vencer mais um dos picos sou brindado com uma belíssima cena, alguns metros a minha frente vejo um belo animal se alimentando da pastagem, elegantemente ele ou ela exibe as patas da frente cruzadas enquanto as traseiras lhe dão sustentação e equilíbrio. Seu pelo é caramelo em todo o corpo a exceção das patas onde perto dos cascos a cor fica mais leve e clara e dá a sensação de que está calçado com meias. Seus músculos parecem fortes e estão bem definidos sob a pele e a cada movimento todo seu corpo trabalha como engrenagens em pleno funcionamento. Pelo longo assim eu nunca havia visto, o vento o penteia criando mechas que refletem a luz do sol lhe dando um brilho especial. Aquela cena é digna de uma pintura. Registro o belo e imponente animal com uma belíssima paisagem de plano de fundo em diversos ângulos e em fim o deixo sem incomodar seu sossego.

Subindo lentamente e com tempo e mente livre começo a pensar o que havia me levado ao caminho, o Universo se organizou de ante do meu desejo de fazê-lo, mas eu ainda não estava certo do porque estava ali. Quais eram as perguntas para as quais eu queria respostas e quais eram as inquietações que me moviam? O que Universo tem a me mostrar e me ensinar nesse caminho? Eu ainda não sabia, mas estava certo de que ali eu iria descobrir. Durante o restante da subida rumo aos Pirineus sigo tentando pontuar as duvidas e inquietações que me acompanharão durante a viagem, e consigo com calma chegar a uma lista delas.

– Porque relacionamento longos as vezes tem fim prematuro?

– Praticamos um corporativismo hipócrita com quem amamos?

– Experimentar é desculpa para iniciar projetos e não terminar?

– Porque não escutamos quem fala?

– O que é o amor?

– O que é a morte e porque ela causa dor?

– Sofrer é motivo para endurecer o coração?

– Estou pronto para essa jornada?

– Como manter encantamento com a rotina?

– Quais são meus limites?

As levarei em minha bagagem e se o momento apropriado aparecer sacarei cada uma delas para tratar, se esse momento não surgir ou se outras inquietações aparecerem as tratarei de igual forma, vão para mochila e no momento certo as tiro de lá. Os pensamentos e duvidas vão surgindo e se esvaindo enquanto vou ascendendo cada vez mais o pico da montanha, a pastagem começa a dar lugar a um outro tipo de vegetação, mais rala e dispersa. O vento começa a soprar diferente, sinto que já não mais tem as barreiras das montanhas a minha frente, já estou acima delas e ele sopra intensamente. Alguns passos depois sinto que a subida tornou-se plana e começo a caminhar uma espécie de planície no alto dos Pirineus. O asfalto da lugar a uma estrada de terra batida que serpenteando some no horizonte. A estrada corta fileiras e fileiras de arvores, quase como um bosque, a direita vejo uma das faces da montanha cujo o fim desaparece no céu azulado. O ritmo de caminhada passa a ser de contemplação, é mais tranqüilo e relaxado, tomo tempo para observar flores e os desenhos da silhueta das montanhas a minha frente e ao lado. Imagino ter chegado ao topo dos Pirineus e comparado ao meu desespero do inicio da caminhada posso ate dizer que não foi tão duro assim.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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