A arte sensual do amor [NSFW]

Todo relacionamento tem entres seus pilares base a confiança. Sobre este pilar, e outros, uma solida relação é construída. A cozinha como arte tem um pilar muito importante também, o amor. Cozinhar com amor é cozinhar para nós, como diria Rita Lee em amor e sexo: “…Amor vem de nós, e demora…”. Quando digo para nós, não é uma forma excludente do outro, mas sim uma inclusão, pois cozinhamos para oferecer a quem amamos o prazer e o conforto do alimento, dai o para nós.

Cozinhar não necessariamente escolher vários ingredientes, junta-los, passá-los por algum processo, montá-los e servi-los em uma bela apresentação. Cozinhar as vezes é apenas escolher o que nos encantará.

Muitas vezes, não estamos realmente “presentes” nas refeições. Sentados a mesa da sala, com a TV ligada, ou com o celular a mão, apenas mastigamos e engolimos o que tem no prato, sem nenhum cuidado e dedicação aos sabores, texturas e aromas do prato.

Estamos próximos de uma data dedicada ao relacionamento, deixemos por hora as questões comerciais da data, e os convido a  praticar o amor a cozinha nesta data. E já me desculpando pelo trocadilho, é um excelente momento para sermos/estarmos “presentes”.

E esta é ainda uma boa data para testar aquela confiança do seu relacionamento. Os alimentos, in natura, tem aromas, sabores, texturas, suculências e notas completamente distintas e únicas, as quais muitas vezes por descuido ignoramos. Um morango maduro tem aroma adocicado, é suculento, mas tem textura externa firme e porosa com algumas saliências que estimulam a pele nua ao toque. Mas a boca, após a mordica, é úmido e delicioso. Sua pessoa amada, devidamente vendada, seria capaz de distinguir entre o toque firme de um morango e o aveludado de um pêssego, correndo pelo próprio  corpo?

Como seriam suas reações ao receber uma bela camada de mel, morno, frio ou gelado, pingando sobre a pele? Quais sensações únicas e instigantes ela sentiria? Claro que temos que limpar toda essa bagunça, mas também não podemos desperdiçar o alimento, logo sugiro limpar diretamente com a boca.  

Uma boa seleção variada de frutas, mel, iogurte, queijos e um bom espumante ou vinho, podem ser bons coadjuvantes em uma noite romântica, picante e inesquecível para o próximo dia dos namorados.

Para inspirar, segue uma curadoria de projetos sensuais para apreciarmos e percebermos que há beleza em todos os corpos.

Série bom dia do site papo de homem?

Projeto 365nus.com

fontes: papo de homem e projeto 365nus

 

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A cultura regional se esvai nos grandes centros

A cultura regional vem se esvaindo como areia que corre pelo corpo da ampulheta que conta o tempo.

A migração da sociedade das áreas interioranas para as aglomerações nos grandes centros, fez com que as diversas faces da cultura de um povo, entre elas a gastronomia, se esvaia sob o pretexto da falta de tempo e da preferência pela praticidade dos maléficos industrializados.

A sedução da praticidade fez com que cada vez menos as famílias se reúnam em torno de uma mesa e principalmente que o ritual de preparação do alimento, que antes era transmitido através de gerações, como em uma filosofia mestre-discipulo, já não mais aconteça. Desta forma técnicas, processos, conceitos e a arte da cozinha se perdem no tempo e morrem com seus mestres.

Valorizar a cultura local, comprando e consumindo do pequeno, valorizando o turismo fora dos grandes centros, resgatando as tradições da mesa familiar e dedicando tempo ao aprendizado de técnicas e receitas dos nossos ancestrais são formas de fazer tal resgate cultura.

Esforcemo-nos a fim de resgatar as antigas recitas, a fim de documentá-las, assim como suas técnicas. Pois só adquirindo conhecimento, dominaremos a cultura e desta forma de discípulos a mestres, seremos guardiões e semeadores de nossas culturas.

 

 

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Memoria olfativa e seus poderes incríveis

Uma taça entre oi dedos gira vertiginosamente o liquido de cor âmbar em seu interior. A luz dourada do fim de tarde ressalta o seu brilho. Ao fim do giro lagrimas escorrem pelas paredes da taça translúcida, formando desenhos de arcos generosos. O aroma frutado de ameixa madura toma conta do olfato, seguido pelo frescor do orvalho da manhã de primavera na serra. E todas essas sensações tem um nome: memória olfativa.

O Universo do vinho, como da gastronomia, tem uma infinidade de conhecimento a se adquirir. Toda essa fala rebuscada de notas, aromas, cores e sabores do vinho precisam ser treinadas para que possam ser percebidas. Você não poderá sentir o aroma de terra molhada, se nunca tiver vivido essa experiência. Da mesma forma não é possível reconhecer notas de damasco fresco, caso nunca tenha comido um assim.

 

Na cozinha, toda experiência é valida, você não precisa conhecer o sabor de um damasco fresco para tomar um bom vinho, porém sua experiência com aquela bebida será engrandecida caso você tenha criado essa memória.

A memória olfativa nos remete a uma das áreas mais intensas e vivas das nossas lembranças e por isso a gastronomia a utiliza de forma tão intensa. Um aroma pode resgatar memórias da infância, memórias das quais racionalmente você nem se lembraria.

Certa vez no tatame de uma escola de artes marciais, após uma queda, pude sentir o aroma que dali exalava, e sim era um aroma, esse tatame em especifico é feito de palha de arroz, que imediatamente me transportou para minha infância, na qual em cima de uma carroça, sentado nas sacas de arroz, ainda com casca acompanhava meus tios até a “maquina” que o beneficiava, separando a casca do grão.

O vinho e um bom prato tem o poder de te conduzir da mesma forma a um momento incrível e inesquecível da sua vida. Para tal basta degusta-los com atenção e cuidado que eles merecem. Dado todas as nossas atividades é natural não saborearmos o alimento. Simplesmente o engolimos em frente a TV ou em uma mesa em conversas agitadas sobre trabalho.

Que tal na próxima taça ou no próximo jantar degustar com mais cuidado e atenção aos seus aromas e sabores.

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Comida saudável não tem gosto ruim

Por algum motivo associamos comida saudável a comida com gosto ruim, algo próximo da comida de hospital. Mas comida saudável pode e deve ser gostosa.

Bem, antes de começar vamos deixar claro que não sou profissional de saúde ou algo parecido. Falarei aqui com base no que esta demonstrado nos meus exames de sangue e no que a minha cardiologista diz. Eu faço check-up regularmente a 10 anos. Todos os anos minha cardiologista me manda aos laboratórios e clinicas para que eles extraiam baldes do meu sangue para fazer exames de todo tipo. As vezes, após entregar a ela os resultados dos exames, levo broncas e outras vezes me saio bem, esse ano foi dos que me sai bem.

Tive uma infância na qual acompanhei a produção alimentícia. Graças aos meus avós paternos e aos meus pais eu pude viver em uma fazenda e lá aprendi de onde vinha cada alimento e também a respeita-lo, reconhecendo os sabores intensos e puros de um produto vindo direto da horta, da lavoura, do curral, do galinheiro, do chiqueiro e das represas. Infelizmente estamos cada dia mais distantes da produção do alimento e cada vez mais consumimos produtos processados e ou ultraprocessados.

Os alimentos são hoje divididos em algumas categorias, os in natura/minimamente processados, os processados e os ultraprocessados.

Alimentos in natura vêm diretamente das plantas ou animais, nessa categoria entram as folhas, frutos, ovos, leites e outros. Estes alimentos não sofrem nenhuma alteração após serem “coletados”. Os minimamente processados são os in natura que passaram por alterações mínimas. Entrariam nesta categoria os grãos secos, como o arroz; ou as farinhas de mandioca ou de milho; as raízes ou tubérculos lavados; cortes de carne resfriados ou congelados e também o leite fervido.

Os processados, aqui começa o perigo, são produtos fabricados essencialmente com um alimento in natura o qual recebe sal ou açúcar. Como legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães. O grande vilão destes alimentos é a quantidade de sal e açúcar utilizado.

Os ultraprocessados, fuja destes, correspondem a produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Exemplos incluem refrigerantes, biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote” e “macarrão instantâneo”

Ok, já sei que devo fugir dos processados e ultraprocessados, mas como reconhecer se estou adquirindo um produtos destes? É simples, leia a embalagem.

Não, não, claro que a industria não escreverá em sua bela embalagem brilhante e hipnotizante que aquele produto é ultraprocessado e te fará levar bronca da sua cardiologista, pois não passará nos exames de sangue. Mas a embalagem lhe dirá isto.

Procure nela os ingredientes daquele produto. Por determinação legal, as industrias devem colocar os ingredientes na ordem de quantidade utilizada no produto. Por exemplo, sabe aquele refrigerante vermelhinho que adoramos e é super refrescante, então, os ingredientes dele seguem em geral a seguinte ordem: Água gaseificada, açúcar, dióxido de carbono, corante de caramelo, conservante. Isso significa que depois da água, o ingrediente mais abundante dentro da latinha do refrigerante é o açúcar. Dai o problema.

De agora em diante, faça esse exercício, leia os ingredientes dos produtos que você consome diariamente. Um consumo consciente te leva a uma alimentação cada vez mais saudável e gostosa. E pratique exercícios, troque o elevador pela escada, já é um começo.

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Café coado do bom :)

Criou-se um mito em torno do café. Café só é bom se for espresso ou com algum outro utensílio que não seja um bule e um coador de pano. Os utensílios tem impacto no produto final, mas o que realmente faz um produto final de qualidade são bons ingredientes e processos que respeitem este.

O pó de café torrado e moído, encontrado comumente em qualquer mercado, em geral não é de muita qualidade. E um dos evidenciadores disto é a torrefação escura do café. Após ser colhido e durante o processo de beneficiamento o café é torrado. As torras padrões são: clara, média e escura.

A torra clara, tende a acentua acidez e aroma com suavidade do sabor. Ela suaviza o amargor e enaltece o aroma do café.

A torra média seria a ideal para coadores de pano, pois busca um equilíbrio entre as características do café: acidez, aroma e amargor.

A torra escura deixa o café menos ácido, porém mais amargo. Ela faz com que o café pareça “mais forte”. Ela é capaz também camuflar impurezas no café.

Desta forma a maneira mais prática de se ter um ingrediente de boa qualidade é adquirindo o café em grãos, torrado ou não, preferencialmente em torra clara e depois fazer a moagem. Existem vários moedores disponíveis hoje no mercado a custo bastante acessíveis, na faixa de R$ 100,00. Padarias e cafeterias também fazem este tipo de trabalho a um custo acessível. Quando for tomar seu próximo cafezinho pergunte no balcão por tal serviço.

Bem, mas agora que temos um bom café, torrado e moído, vamos as dicas de como armazena-lo e como “passar” um bom cafezinho:

#Café coado do bom

  • É importante que o pó de café seja distribuído de forma uniforme no coador;
  • A água deve ser filtrada, se possível mineral, a fim de não  ter cloro.
  • A água não deve estar estar fervendo ao ser despejada no café, pois pode queimá-lo e ter um efeito semelhante a torra escura. Após a água levantar fervura, desligue o fogo e aguarde 1 minuto;
  • Vá colocando a aguá sobre o café, já no coador das bordas para o centro, regue todas as bordas e em seguida o centro. Não use colher para torcer o coador ou mexer o café.
  • 5 a 6 gramas de pó, equivalente a uma colher de sopa cheia, são o suficiente para 100 ml de água.
  • A fim de não pegar odor e outras impurezas, o coador pode ser guardado em uma vasilha d’água na geladeira, assim como o pó de café, mas não coloque o pó de café dentro d’água ¬¬

Dica para galera de Brasília: A Belini Café Expirience, torra e moi café 😀

Ciência ou magia? 🔥 . #roast

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ps: Essa cafeteria fica do outro lado da rua da Belini tradicional.

imagens:blodocafé e pixaby

 

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Sabor vale mais que gourmetização puramente financeira

Passamos e ainda temos passado por um onda de gourmetização sem sentido  do alimento. Preços são inflados em função de nomes bonitos e de ingredientes nobres que em muitos casos não agregam sabor nenhum a receita original.  São inúmeros os exemplos: a tradicional tapioca com leite condensado passou a ser “tapioquinha rustica com renda de leite caramelado”; o picolé passou a ser “paleta mexicana”, pior que as paletas mexicanas do Brasil nem existem no México, lá elas são feitas apenas de água e frutas, sem recheios ou coberturas mirabolantes.  Brigadeiro também sempre foi coisa séria por aqui, com algumas variações possíveis, mas sempre integras a receita original. “Brigadeiro Romeu e Julieta” e “Brigadeiro Crème brûlée” não, né? Isso não é brigadeiro.

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Quando um alimento é colocado a prova, o critério definitivo é o sabor. Como já dizia a musica, que por sua vez foi copiada da obra sagrada: “… sem amorsabor, eu nada seria…”

Uma falsa releitura de um prato, chamado de gourmetização, não agrega sabor e vitalidade ao prato, em geral ela é exclusiva para fins financeiros. Uma releitura deve ser feita com cuidado e respeito ao prato e a cultura da qual ele foi construído. Uma releitura deve oferecer ao apreciador da boa cozinha a essência daquele prato, com sabores renovados e alguma adaptação em ingredientes locais, caso não seja possível utilizar os originais.

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Na cozinha, e muitas vezes na vida, menos é mais.

O renomado chefe Alex Atala, proprietário do restaurante D.O.M., além dos pratos autorais cria ainda releituras de pratos da cultura brasileira. Esta combinação conduziram o D.O.M. a estar na lista de um dos cinquenta melhores restaurantes do mundo. O talento e o carisma de Atala fizeram ainda com que este se tornasse um grande embaixador da gastronomia brasileira pelo mundo a fora.

A linha tênue entre a gourmetização e uma releitura fez com que Alex também fosse criticado em muitas vezes. Dai o cuidado que temos que ter ao criticar. Faz-se necessário entender a proposta de uma casa antes de julga-la. Alex promoveu na virada cultural em São Paulo a releitura da tradicional galinhada; com preço acessível, porém com processo de preparo mais custoso que o da galinhada tradicional ele conquistou o gosto da galera. Sendo este um bom exemplo de uma releitura que deu certo. Já a água saborizada servida no D.O.M., em seu menu degustação, gera controvérsias.

Enfim, comida boa é comida boa. Sendo de alta ou baixa gastronomia. Gourmet ou não.

imagens: pixabay e freeimages

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Café em cápsula adicionam novos itens a cesta básica

Nos últimos anos, com o surgimento e a consolidação das maquinas de café/bebidas em cápsulas, foi adicionado a cesta básica das famílias um novo item. O tradicional café em pó, torrado e moído, foi substituído ou complementado por caixas da bebida em cápsulas e prontas para uso em suas respectivas maquinas. O segmento brasileiro hoje é dominado por dois grandes players Nespresso e Dolce-Gusto.

Dado a praticidade de fazer porções únicas de café, com um variedade significativa de sabores, aromas e intensidades as empresas conquistaram o paladar brasileiro. O crescimento deste mercado foi apoiada também pela nova configuração das famílias, com um número menor de membros, é possível investir em produtos de maior valor agregado e personalizados ao paladar e ao gosto de cada um.

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No que tange o atender ao paladar as duas máquinas divergem. A Nespresso se especializou em cafés e somente cafés. Trazendo ao público em lojas exclusivas um atendimento diferenciado e uma maior variedade de sabores, intensidades, aromas. Com edições fixas e limitadas a marca oferece bebidas das mais diversas partes do mundo.

A Dolce-gusto veio ao mercado com uma estratégia diferente da concorrente. Com maquinas e cápsulas comercializadas na rede varejista de Supermercados e Hipermercados conseguiu uma penetração maior no segmento. E a fim de atender ao paladar de toda família, além do café, ela oferece ao publico bebidas achocolatadas, capuccinos, chás e outros produtos desenvolvidos para plataforma e produtos de renome da marca mãe, a Nestle.

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As maquinas de café em cápsulas tem um comportamento de mercado semelhante ao das impressoras, o verdadeiro custo do produto não esta na aquisição das maquinas, mas sim na aquisição das cápsulas. Em 2015, segundo a ABIC, a média de consumo de café por habitante no Brasil foi de 81 litros. Equivalente a um consumo médio aproximado de 4 xícaras por habitante todos os dias. 4 doses desta bebida sairia a um custo entre R$ 6,00 e R$ 10,00 por dia.

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Desta forma vale conhecer outras formas de se ter um café prático, de qualidade e ainda com um custo inferior aos das cápsulas. Falaremos mais em um próximo post.

Não se pode ter um bom produto final, sem uma bons ingredientes.

Enjoy your coffee.

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Alimento deve ser respeitado, o natural é saudável

Passei parte significativa da minha infância na fazenda, lá morei até os 7 anos de idade, então mudei para uma capital, mas retornava a fazenda em quase todos os feriados e nas férias, sempre foi muito divertido. Meus tios tinham quase a minha idade e era sempre uma aventura acompanha-los nas tarefas do dia-a-dia. Minhas tarefas eram sempre mais brandas que as deles e duravam apenas algumas semanas, parte do período das férias, mas durante este período formei uma parte importante do que sou hoje. Na fazenda aprendi de onde vinha o alimento, de como se dá o cultivo de cada coisa e também, à pesar da pouca idade, de como é árduo para o pequeno agricultor o trabalho do acordar com o céu ainda escuro e a horas do amanhecer até o fim do dia ao sol se por.

Lá aprendi ainda a comer de tudo e a respeitar o alimento, em especial o que ajudei a ser produzido. Energia elétrica e geladeira não eram realidades naquela época nas fazendas. Desta forma o processo de guarda de carnes e de outros mantimentos faziam uso de técnicas que aguçam os sabores e dão nova vida aos alimentos.

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Alimento natural e de origem.

Quando minha avó matava porco – sim, minha avó matava o porco – não se podia comê-lo todo de uma única vez, logo a carne deste animal, que serviria de mantimento para toda a família por alguns meses, era divida em algumas partes.

A primeira parte era separada para consumo imediato. Feita no próprio dia. Nesta separação eram incluídos os miúdos: figado, rim, pele e outros 🙂 pele inclusive in natura, temperada apenas com sal e limão. O sabor é sensacional, mas o que mais me marca é a textura. Ela se mostra resistente a mordida, mas logo que sede se fragmenta em inúmeros micro pedaços que produzem sons ao serem mastigados. Em geral toda a carne desta separação é feita em fritura ou assada.

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Alimento natural e fresco.

A segunda parte ia para a salga. Pés, rabo, orelha… todos os itens que compõem uma boa feijoada. O sal desidrata a carne e é um conservante natural, permitindo assim a guarda e o consumo destes alimentos ao longo de meses.

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Um bom ingrediente, rende um bom produto.

Uma terceira parte da carne ia para guarda na própria gordura. Toda a carne selecionada para este processo é temperada com sal, alho, pimenta e outras especiarias e em seguida vão para fritura na banha do próprio porco. Existem porcos de raças especificas para este fim, estas raças tem a capacidade de produzir mais banha do que carne. Técnicas de castração e a alimentação também auxiliam no processo de engorda do animal.

Uma vez frita, a carne é armazenada em grandes latas de metal de 18 litros e em seguida é adicionado banha, já em estado liquido, suficiente para cobrir toda a carne. Da mesma forma, agora este alimento pode ser conservado por meses. E durante a armazenagem os sabores da carne se intensificam em um processo de amadurecimento como o que acontece com o vinho, o Whisky e a cachaça em seus barris.

Toda comida que necessita de gordura utiliza-se desta banha. O arroz, o feijão e outros alimentos fazem uso desta gordura cheia de sabor e aroma. Os sabores são muito distintos, uma nova experiencia é criada ao saborear um arroz feito no fogão a lenha com esta banha curtida nas latas de guarda.

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Raizes

Por ultimo, vem a parte que eu mais gosto, os embutidos e defumados 🙂 As carnes menos nobres são separadas e picadas em pequenos cubos ou algo que assemelhe. Uma parte de carne com bastante gordura é juntada a esse picadinho e tudo isso é temperado e colocado para descanso. Durante este descanso faz-se a preparação dos invólucros que receberão toda essa carne picada e temperada. Dos intestinos do porco são retiradas as tripas, que então são limpas em água corrente e depois em uma solução de sal e limão. Esse processo se repete por diversas vezes, durante este processo a tripa também é raspada e só finaliza quando fica translucida e completante inodora. Pronto podemos rechear a tripa com o picadinho de carne que estava descansando.

Uma vez recheada e com as pontas amarradas, a linguiça vai para um varal, que fica acima do fogão a lenha, que lentamente oferece a estas um calor brando, que faz com que a gordura se espalhe por toda a carne que a recheia. A fumaça trás o aroma e sabor defumado da lenha queimada ao alimento que poderá ser consumido diretamente ou em preparos diversos.

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Tradição

E por tudo isso, tenho muita dificuldade em ouvir alguém sugerir trocar todos esses sabores por feijoada de jaca, “carne” de proteína de soja, tripa de plastico e outros :p O façam se quiserem, mas vou torcer o nariz quando me oferecerem.

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Pão, vinho e embutido.
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Infinidade de sabores

imagens: pixabay e freeimages

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Minha mãe

Aprendi a cozinhar com a minha mãe. Como boa goiana, minha mãe sempre teve muitas panelas cheias a mesa e sempre com abundância em temperos, aromas e sabores. E em quantidade, claro. E tudo isso atraia muita gente a mesa.

Certa época cozinhei para minhas irmãs e meu pai. Foi na época que minha mãe resolveu trabalhar fora. Meu desempenho foi um desastre.

Algum tempo depois fui morar só, em outra cidade, ai tive que aprender a me virar com melhor desempenho. Rapidamente fiquei especialista em miojo. Tudo feito com meu próprio tempero e incremento. Hoje já avancei um pouco mais e já faço a minha massa para Lamem. E a exatos 10 anos, 3 meses, 5 dias e 12 horas não como miojo. Um dia de cada vez.

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Fogão a lenha

imagens: pixabay e freeimages

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