Memoria olfativa e seus poderes incríveis

Uma taça entre oi dedos gira vertiginosamente o liquido de cor âmbar em seu interior. A luz dourada do fim de tarde ressalta o seu brilho. Ao fim do giro lagrimas escorrem pelas paredes da taça translúcida, formando desenhos de arcos generosos. O aroma frutado de ameixa madura toma conta do olfato, seguido pelo frescor do orvalho da manhã de primavera na serra. E todas essas sensações tem um nome: memória olfativa.

O Universo do vinho, como da gastronomia, tem uma infinidade de conhecimento a se adquirir. Toda essa fala rebuscada de notas, aromas, cores e sabores do vinho precisam ser treinadas para que possam ser percebidas. Você não poderá sentir o aroma de terra molhada, se nunca tiver vivido essa experiência. Da mesma forma não é possível reconhecer notas de damasco fresco, caso nunca tenha comido um assim.

 

Na cozinha, toda experiência é valida, você não precisa conhecer o sabor de um damasco fresco para tomar um bom vinho, porém sua experiência com aquela bebida será engrandecida caso você tenha criado essa memória.

A memória olfativa nos remete a uma das áreas mais intensas e vivas das nossas lembranças e por isso a gastronomia a utiliza de forma tão intensa. Um aroma pode resgatar memórias da infância, memórias das quais racionalmente você nem se lembraria.

Certa vez no tatame de uma escola de artes marciais, após uma queda, pude sentir o aroma que dali exalava, e sim era um aroma, esse tatame em especifico é feito de palha de arroz, que imediatamente me transportou para minha infância, na qual em cima de uma carroça, sentado nas sacas de arroz, ainda com casca acompanhava meus tios até a “maquina” que o beneficiava, separando a casca do grão.

O vinho e um bom prato tem o poder de te conduzir da mesma forma a um momento incrível e inesquecível da sua vida. Para tal basta degusta-los com atenção e cuidado que eles merecem. Dado todas as nossas atividades é natural não saborearmos o alimento. Simplesmente o engolimos em frente a TV ou em uma mesa em conversas agitadas sobre trabalho.

Que tal na próxima taça ou no próximo jantar degustar com mais cuidado e atenção aos seus aromas e sabores.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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