Por que cozinhamos com fogo na era do microondas?

Distante de casa, porém em casa amiga e em família, logo sou recebido com calorosos abraços e bebida gelada. A música é o bate-papo entrosado animam o trabalho da noite, a hora já é adiantada e segue depois de um dia inteiro de trabalho.

Cuidadosamente e com mais ou menos destreza, a depender do voluntário, as partes em excesso ou, julgadas impróprios, vão sendo desbastadas e descartadas. A decisão de um voluntário em descartar gordura em excesso chega a criar certa harmoniosa discussão, na qual o colesterol venceu e a gordura saborosa é que é combustível para o fogo vinga na peça imponente de carne.

A noite se adianta e rompe o dia da chegada. As peças enfim limpas e devidamente embaladas estão em condições de descansarem até o raiar do sol. Hora essa que já não está mais tão distante.

Após algumas horas de sono e descanso é chegada a hora de transformar lenha em brasa através do fogo. Na vala já cavada, a lenha cortada é organizada e em seguida incendiada. A chaleira com água fumegante não demora a dar sinal de vapor. É a deixa para que a cuia acomode a erva e a bomba e cada um na roda compartilhe o sabor caloroso do chimarrão.

As estacas são fincadas e a carne acomodada com cuidado próxima as brasas. Próxima o suficiente para receber calor brando, constante e gentil. O calor brando aquece o sal e o óleo e lentamente sela os poros da carne, guardando em seu interior toda sua suculência.

Lentamente e por horas o fogo brando, alimentado e monitorado constantemente, assa e defuma a carne no próprio suco e internaliza o sabor. A brandura do tempo e do calor traz maciez com a quebra das fibras. A defumação constante impregna a parte externa da carne com sabor único.

A manhã já foi consumida, assim como boa parte da lenha, o restante da família começa a chegar e se reunir em torno da brasa. Admirados pela beleza da cena, bocas águam em desejo.

É chegado o momento da refeição. Crianças cessam as brincadeiras, as conversas são amenizadas e todos se juntam em torno da mesa de corte. A faca reluzente rompe a crosta crocante e derrama suco ao penetrar a carne que se desfia a um toque. As quase 18 horas de trabalho se justificam ali.

 

 

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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