Vinho e comida harmonizado por tradição

Muito se fala e escreve sobre harmonização de vinho e comida. Inúmeros livros, sites e outras mídias tratam do assunto. Inclusive os motoristas do Uber.

Explico – a alguns dias em um descolamento pela cidade, o qual fiz de Uber, tive a oportunidade de conversar com um motorista que estava naquela profissão por ter sido desligado de seu ultimo trabalho. Ele saiu após o encerramento das atividades do restaurante onde era sommelier. Com diversos cursos na área de gastronomia, logo ele se enveredou pelo mundo dos vinhos e de lá só saiu para conduzir automóveis e por diversas vezes transportar clientes que haviam consumido da bebida a qual ele tanto tem conhecimento e tando admira.

Parte de sua formação aconteceu no Chile, o maior produtor mundial de vinhos da uva Carménère. Uva de origem francesa, que inclusive acreditava-se ter sido extinta por uma praga, mas que anos depois foi reencontrada nos vales chilenos, onde se adaptou muito bem e de lá nunca mais saiu.

Durante o percurso da viagem ele me contava da sua formação, das aventuras no mundo dos vinhos e da satisfação em harmonizar um vinho que agrade o paladar dos clientes que atendia com o prato desejado.

Uma vez no tema harmonização ele reforçou conceitos interessantes e de conhecimento amplo, mas abordou um ponto muito interessante. A harmonização se dá por tradição.

A produção de vinho é milenar e antes da era globalizada o consumo do produto era feito em um raio bastante reduzido, limitando os sabores da bebida praticamente a região onde era produzida. Dado que a cozinha vem de antes do vinho. Produtores começaram a produzir bebida que também pudesse acompanhar a refeição, sem que esta entrasse em uma briga com o alimento. Dai taninos oxidados que agrediam o doce de uma sobremesa foram suavizados. Bebidas leves e com pouca acidez deixaram de ser úteis em pratos gordurosos e muito complexos. Dai muitas das das bebidas acabaram sendo adequadas,  durante a produção, para que casassem com pratos típicos e tradicionais locais.

A receita se aplica também a outros álcoois: a caipirinha para feijoada o chopp para um bom chucrute, o saquê para a culinária japonesa.

Na próxima harmonização pense na tradição e origem do que se deseja harmonizar e viaje no tempo e espaço para escolher uma boa uva que certamente será um grande companheiro para sua refeição.

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Autor: Junior de Castro

Viciado em pessoas, ainda em construção e sempre em busca de mais empatia. Cozinheiro, aprendiz de aquarela e com ideias para dividir :)

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