O copo sujo e o gourmet

Sempre gostei do copo sujo. Não do objeto, mas do conceito. A mesa é de boteco, o prato é um genérico do duralex, o mais barato que tiver. O garçom geralmente é um fanfarrão ou é ranzinza. Toalha de mesa, nem pensar. O guardanapo é aquele meio plastificado, até hoje não sei quem inventou isso, é a pior ideia do mundo.

Ah, e em um copo sujo não pode faltar copo limpo. Claro o copo que tem que ser americano. Outra coisa, o espaço tem que ser pequeno, apertado e geralmente quente. A mecânica para colocar tantas pessoas e mesas em um espaço tão encurtado, por certo é tema de tese de engenharia.

Nesse cenário de simplicidade, e para alguns, até de aparente caos é que reside a genialidade do sabor.

Utilizando-se de técnicas culinárias transferidas de uma geração para outra, na cozinha do dia-a-dia. Quem comanda a cozinha de um copo sujo é capaz de transformar produtos aparentemente sem muito valor em verdadeiras relíquias e tradições locais.

Não pense que um copo sujo peque em sua higiene, em geral ele é e tem aparência antiga, mas sujeira não. Não me lembro de nenhum copo sujo que tenha sido fechado por má higiene no local, mas restaurantes da modinha eu lembro.

Em geral as tias que comandam a cozinha são bravas e não admitem sujeira ou bagunça em suas cozinhas. E é do amor delas que sai a comida “caseira” da qual sentimos tanta falta no dia de hoje.

Na próxima vez que for sair para comer, procure um copo sujo. E caso seja convidado para conhecer um, não perca a oportunidade. Por certo você irá se surpreender.

ps: Amigão é uma marca registrada, de propriedade do seu dono e é tradicional em Brasília 🙂

ps2: Ligue antes e peça ao Fernando ou ao Bigode (que não tem mais bigode) uma mesa boa, ou irá sentar na rua ao lado das oficinas 😀

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