A comida é uma expressão da sua essência.

Cada prato exige do cozinheiro certa habilidade e característica. Para muitos pratos a paciência é característica indispensável, pois mesmo com uso de ferramentas e utensílios para tentar acelerar o tempo e antecipar o resultado, porém nenhuma antecipação vem sem custo. E não é sem custo monetário é sem custo em sabor.

O sabor é o principal pilar da cozinha, porém apresentação, técnica e harmonização são pilares extremamente importantes. Quando se consegue sustentar um prato sobre estas bases o resultado provavelmente será fantástico.

Cozinhar por prazer e sem pressão profissional te permite alinhar o prato ao seu estado de espirito. Em um dia de paz interior e de tranquilidade, um prato que exige dedicação integral e paciência, pode ser um grande recurso para se envolver-se por inteiro em uma atividade e permitir que a mente calma descanse. A pratica do mindfulness.

Pude dedicar três horas do meu dia na construção desta torta. E ao final, mais que satisfação pelo sabor e pela beleza, me senti satisfeito por estar em paz integrado aquela prato.

O prato é de simples execução, porém exige paciência e dedicação. Caso disponha de algumas horas experimente. Não se prenda a ferramentas e utensílios. Uma garrafa de vinho, o qual pode ser esvaziado durante esse período, pode ser o abridor de massa e uma faca pode ser utilizada para fazer os fios que decoram a torta.

Para o recheio separei 2 coxas, 2 sobre-coxas e 1 pedaço de peito de frango. 1 lata de tomate pellati. 1 porção de azeitonas. 1 cebola grande; 8 dentes de alho; 4 pimentas jamaicana (ela é puramente aromática, não é picante); 4 pimentas do reino; 1 pimenta bode grande; 1 punhado de sal; 3 folhas de louro.

Em um pilão macere todos os temperos e o sal, a exceção das folhas de louro.

Esfregue bem a mistura no frango e deixe descansar por alguns bons minutos.

Enquanto nosso frango absorve sabor, vamos iniciar o preparo da massa.

Para o preparo, separe 500 gr de farinha de trigo; 1 colher de sopa de açúcar; 1 colher de sopa (rasa) de sal; 1 xicara de agua; e 115 gr de banha de porco.

Respire, sinta os aromas exalando da mistura.

Em uma panela, coloque e aqueça a água, o açúcar, o sal e a banha de porco. Após esta mistura estar morna e consequentemente a banha ter praticamente derretido. Regue, lentamente, a farinha previamente peneirada. Com auxilio de um garfo trabalhe a mistura até ter adicionado todo o liquido.

Uma vez integrado todo o liquido a farinha sove a massa sem pressa. Exercite os músculos do braço, ombro e clavícula. Sue. A força e o exercício dispendido na mistura fará com que o amido se ative deixando a massa elástica e homogênea.

Relaxe, tome um gole do vinho.

Após este processo deixe descansar por cerca de 30 minutos. Se até o momento não tem música nessa cozinha, talvez seja o momento de colocar uma.

 Este é um bom momento para trabalharmos o frango. Em uma panela de pressão adicione 2 colheres de manteiga de leite ou outra gordura do seu gosto. Refogue os pedaços de frango até ganharem alguma cor. Adicione 1 cebola cortada em cubos. Deixe refogar mais uns minutos; cubra a mistura com água e deixe na pressão por 20 minutos. 20 minutos de pressão.

Sinta a cozinha aquecer. Ouça a panela chiar.

Nossa massa já descansou. Podemos abri-la, somente a metade, a outra metade utilizaremos na cobertura. Com um rolo para massa ou com a garrafa de vinho (após ter consumido seu conteúdo), massageei a massa até que que tenha um disco fino e de tamanho adequado a assadeira escolhida.

Nosso frango já deve ter cozido. Tire a pressão, escorra o caldo completamente. Não o descarte, ele será um excelente bordô para um risoto ou para qualquer outro uso.

Prove o caldo, imagine qual será o prato que um dia ele irá compor.

Feche novamente a panela. Envolva um pano de prato de uma alça a outra, prendendo o pino para que este não saia. Neste momento agitaremos a panela com vigor, com os pedaços de frango dentro. Após cerca de 30 ou 60 segundos. Você abrirá a panela e verá que o frango está inteiramente desfiado, bastando apenas recolher os ossos na mistura.

Lembra da nossa lata de tomates, chegou o momento dela. Leve a panela novamente ao fogo, despeje os tomates e o molho, acrescente meia xicara do caldo e deixe cozinhar. De tempos em tempos mexa a mistura e amasse os tomates. Acerte o sal.

O recheio já pode preencher nossa massa já na assadeira. Espalhe com delicadeza. Que tal um pouco de queijo sobre o recheio?

Vamos agora trabalhar as fitas de massa que irão decorar nossa torta. Caso você possua um cilindro para macarrão este é o momento de usa-lo, caso não possua é hora de pegar aquela faca e trabalhar a coordenação motora.

Não abra toda massa de uma vez, em contato com o ar ela tende a ressecar e perder elasticidade. Abra pequenas quantidades por vez.

Abra a massa tão fino quanto possível. Tente mantê-la em formato retangular e de preferência em tamanho superior ao comprimento da assadeira.

Após abrir, corte o mais reto possível, as fitas que decorarão a torta. Lembre-se que existe muita beleza na imperfeição.

Gentilmente coloque a fita sobre a torta recheada e com uma leve pressão ligue as pontas da fita a borda da massa de base para o recheio.

Respire.

Repita o processo.

Tome um gole de vinho.

Repita o processo.

Ouça a música.

Repita o processo.

Admire seu trabalho.

Repita o processo.

Ouça a música.

Repita o processo.

Quando a massa acabar, ou você entender que seu trabalho se findou. Leve a torta o forno por 20 minutos a 200 graus, sem dourador. Após estes 20 minutos iniciais, ligue o dourador e deixe por mais 20 minutos. Porém monitore o forno. Não abandone sua torta lá.

Enjoy and mindfulness.

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Mindfulness, a leve arte de estar presente

Mindfulness, a leve arte de estar presente. Comecemos com um exercício, experimente ler o trecho abaixo, destacado entre aspas, sentindo-o.

“…Acordo em um salto para fora da cama. A tempos o zunido histérico do despertador se repete após inúmeros toques no botão soneca. Entre um semi-cochilo e outro, o tempo implacável se adiantou e “me fez” estar atrasado.

No banho, distraído, pois já estando com a mente acelerada, adiantando todo o trabalho da reunião na qual já devia estar, me perco e não sei se usei ou não o shampoo nos cabelo. A dúvida me faz acelerar mais ainda os pensamentos, e na ausência de certeza, passo novamente, ou não, shampoo nos cabelos. Já saio do banho suado. As roupas se vestem em mim. Desço as escadas correndo, passo pelos vizinhos e porteiro, sem nem vê-los;  entro no carro e saio em disparada…”

Veja como apenas lendo este trecho, com empatia, é o suficiente para estarmos exaustos. E essa sensação não vem ao acaso. Viver em um mundo cada vez mais dinâmico e repleto de  multitarefas é o suficiente para exaurir. Constantemente cobrados por eficiência e por entregas, atropelamos processos, ritos e principalmente pessoas.

O movimento mindfulness é a tentativa de resgate da plena atenção a cada atividade, inclui-se em atividade, o simples fato de ouvir o outro. Diversos estudos recentes mostram que não somos tão eficientes, como acreditamos ser, em múltiplas atividades. Um  estudo conduzido pela  Universidade de Utah, concluiu que apenas 2,5% das pessoas têm a capacidade de fazer (com desenvoltura) diversas atividades ao mesmo tempo. Estas pessoas são classificadas como os supertaskers. Segundo os pesquisadores, boa parte dos 97,5% restantes até tenta se desdobrar em vários, mas estão fadados à frustração. Diante do exposto, sejamos sinceros, a chance de ser um dos 2,5% desta população é muito baixa. Logo, ao menos experimente não ser multitarefa e veja como seu corpo se comporta.

Que tal um desafio, pratique por uma semana o pequeno exercício de mindfulness descrito abaixo.

Reserve 30 segundos para cada um dos seguintes passos;

Faça isso 3 vezes ao dia;

1- Pare no meio de alguma atividade cotidiana. Traga a atenção para a sua respiração, nas sensações em volta do seu estomago, a maneira que ele infla quando inspiramos, a sua volta a posição original quando expiramos.

2- Sinta as sensações corporais que ocorrem nesse momento, tensões musculares, dores, qualquer sensação e não tente modifica-la, apenas tome nota da sua sensação.

3- Tome nota das sensações que você esteja experienciando, por exemplo: “Estou agitado”  ou “Há agitação”. Não tente modifica-la, aceite-a.

4- Traga a sua atenção ao seu corpo, às sensações e como você esta as experienciando. Conecte-se com elas, sem julgar ou comentar e apenas respire com elas. Permita-se apenas estar e relaxar com qualquer coisa que esteja presente.

fonte: iniciativa mindfulness

 

 

 

 

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