O velho banco de madeira.

A lenha fumegante arde em brasas e estalos, trazendo luz e calor, a noite fria e chuvosa que umedece aquela antiga casa. Casa construída com suor e barro trabalhado pelos dois e sua prole.

Conduzindo as panelas sobre a grelha do fogão à lenha, a velha senhora caminha hora de forma reta e certeira, hora como o balanço de um pequeno barco a mercê das ondas. Seu vestido florido e os cabelos cacheados, obedecem aos movimentos de seu corpo e em função da perna que a conduz, a reta ou a das ondas. De seus lábios, quase tão periodicamente quanto o balanço do seu corpo, saem baforadas quentes, brancas e densas, tais como nuvens das tardes de primavera.

De fronte para o antigo fogão a lenha, o velho senhor mantém-se sentado em sua antiga cadeira de madeira, mesma cadeira que tantas vezes serviu de escada da construção da casa. Na mesa ao seu lado, um monte de palhas de milho seco, recém colhidas no paiol, o aguardam sem nenhum tratamento.

Junto as palhas, um pote de plástico, que é de cor mais ou menos laranja incandescente à escolha das brasas que arde a frente. Deste, o velho senhor retira um canivete de cabo simples e amarelado pelo tempo.

Sua lamina afiada, tão quanto antes, a custo de amolações constantes, corta a palha de milho até deixá-la em formato retangular simétrico. Não demora e a pilha disforme de palhas é vencida e uma nova se forma com as mesmas, porém, agora organizadas e idênticas. O velho canivete ainda não terminou seu trabalho, a pilha começa a ser consumida outra vez. Cada palha, agora retangular, é raspada em frente e verso. até que perca toda sua aspereza e estrutura rija. tornando-se uma delicada, maleável e translúcida folha de palha de milho seco. À pesar de muito menor que a pilha anterior, a nova pilha contém as mesmas quarenta de antes.

Ainda com o canivete em mãos, o velho senhor traz para si o aromático cilindro de fumo de rolo, que em forma de corda se enrola em uma haste de madeira. E deste começa a cortar nacos. Pacientemente cada um desses nacos é picotado em pequenas e estreitas laminas. A idade do canivete se revela no ventre de seu lombo, com o abaulado em sua lamina moldada pelos anos de labuta. Logo as finas laminas de fumo se acumulam em um monte sobre a mesa e o canivete ao findar seu trabalho volta ao pote para mais uma noite de descanso.

Os dedos ainda ágeis, marcados pelos anos e pela lida na roça, esmiúçam cada lamina de fumo picado até que o monte se transforme em finas linhas de fumo e em pó de tabaco. Este novo monte não durará muito tempo, pois cada palha cortada, aparada e raspada começa a receber quantidade generosa de tabaco seco e desfiado. E que logo é enrolada, formando um cilindro que prende o tabaco em seu corpo e então é selado com saliva que percorre toda sua extensão lateral. Por fim suas pontas são dobradas para que nenhum tabaco escape dali.

Uma a uma a pilha vai se esvaindo até que o pote alaranjado esteja cheio de cilindros de palha recheados de tabaco. Garantindo assim baforadas de nuvens para esta noite e para o dia seguinte.

Sentado no velho banco de madeira, lustrado e polido pelo tempo, seus pés pequeninos custam alcançar o chão.

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O que você faria se apenas lhe restasse um dia?

Apenas damos valor à vida quando percebemos que esta não é eterna, e que tudo um dia acaba, mas e se o dia acabasse amanhã…o que você faria se apenas lhe restasse um dia?

Abaixo a letra da música do ilustre Paulinho Moska, que com muita poesia e melodia, expressa vários questionamentos sobre o que o seu amor faria se apenas lhe restasse um dia. Então, com esta maravilhosa poesia, vamos refletir sobre o que cada um de nós faria se apenas nos restasse um dia!

O Último Dia (Paulinho Moska)

Meu amor

O que você faria se só te restasse um dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria

 

Ia manter sua agenda

De almoço, hora, apatia

Ou esperar os seus amigos

Na sua sala vazia

 

Meu amor

O que você faria se só te restasse um dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria

 

Corria prum shopping center

Ou para uma academia

Pra se esquecer que não dá tempo

Pro tempo que já se perdia

 

Meu amor

O que você faria se só te restasse esse dia

Se o mundo fosse acabar

Me diz, o que você faria

 

Andava pelado na chuva

Corria no meio da rua

Entrava de roupa no mar

Trepava sem camisinha

 

Meu amor

O que você faria?

O que você faria?

 

Abria a porta do hospício

Trancava a da delegacia

Dinamitava o meu carro

Parava o tráfego e ria

 

Meu amor

O que você faria se só te restasse esse dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria

 

Meu amor

O que você faria se só te restasse esse dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria

Me diz o que você faria

Me diz o que você faria…

Fonte letra: Paulinho Moska

Fonte imagens: https://pixabay.com

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